05 de novembro de 2026
OPINIÃO

Jundiaí é uma cidade agradável?


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Qualificar uma cidade de “agradável” é complicado. Cada qual – e somos todos irrepetíveis – tem uma concepção do que lhe agrada. Mas tenho a certeza de que todo gestor gostaria de que sua cidade fosse considerada agradável.

Alguns parâmetros são bons indicadores. Cidade na qual todos desfrutam na rotina, uma boa qualidade de vida. Uma cidade que retome seu desenvolvimento industrial e potencialize sua vocação de polo regional de tutela ambiental, pois detém o patrimônio de valor incalculável que é a Serra do Japi, mas que também seja campeã em serviços, para gerar emprego e renda.

Uma cidade agradável permite que a cidadania ativa participe das decisões sobre os investimentos públicos e tenha condições de fiscalizar os serviços prestados pela Prefeitura. Tais serviços devem ser suficientes e eficientes, geridos de forma contemporânea e transparente para a população.

Jundiaí pretende ser um município no qual as pessoas possam dispor de trabalho, segurança, educação, cultura, lazer, tutela ecológica, enfim, uma cidade solidária e mais igualitária, da qual todos possam se orgulhar. Uma cidade assim só pode ser construída pela ação conjunta do governo municipal, do Parlamento, do sistema Justiça e do Terceiro Setor. Uma sociedade civil organizada é excelente parceira para a boa condução da coisa pública. Assim chamada porque é de todos, sem distinção.

Os projetos de interesse comum devem contar com a participação de toda a comunidade. Comum unidade é o ideal que se persegue e que raramente é obtido.

As parcerias constituem um passo efetivo rumo à Democracia Participativa, diante do desgaste da Democracia Representativa. Não é comum que as pessoas se sintam representadas em todos os setores da vida pública. E as parcerias devem ser feitas com diferentes instituições da comunidade, com a iniciativa privada, com a Igreja, com Clubes, com associações, com sindicatos, com organismos governamentais ou não, sem excluir as demais esferas de governo.

Uma cidade agradável precisa ser mais bonita, ter mais cultura, esporte e lazer, ter bom trânsito, ser mais segura e preservar a natureza, a maior vítima do consumismo e da insensibilidade contemporânea.

Para que a cidade seja mais bonita, pressupõe-se venha a ser mais limpa. Mais florida, com o plantio em logradouros públicos de espécies floríferas e frutíferas e manejo adequado das árvores existentes, com o saudável impacto da paisagem quando há floradas massivas.

É fundamental que sejam ampliadas as áreas verdes, com implantação e conservação de praças, jardins, florestas urbanos, parques públicos, jardins de chuva e mini-florestas, além de vagas verdes. Ou seja: já que o trânsito é o vilão e que construímos nossas cidades para o automóvel, recuperemos, aos poucos, área reservada a estacionamento para plantar espécies arbóreas que reduzam a temperatura e reequilibrem o regime pluviométrico.

Uma cidade agradável tem de ser repleta de equipamentos e espaços públicos bem construídos e conservados, com o desenvolvimento de padrões urbanos diferenciados, que representem novos signos da cidade, para favorecer a afirmação da identidade da população com a cidade.

Essencial que disponha de um centro urbano bonito e requalificado. Nesse ponto, está difícil dizer que Jundiaí seja uma cidade realmente agradável, pois o centro ficou deteriorado e cada vez mais feio. Ou é saudosismo de quem viveu mais da metade de sua já longa existência no século passado?

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.