Em um cenário internacional marcado por constantes transformações, o isolamento econômico é o maior inimigo do desenvolvimento. Para que o Brasil continue a crescer de forma sustentável, estabelecer e ampliar relações comerciais com outros países não é apenas uma escolha inteligente, mas uma necessidade. Essa abertura funciona como um escudo protetor para o setor produtivo nacional, blindando a nossa economia contra a fragmentação de mercados e as tensões geopolíticas globais que afetam o planeta.
Conforme estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre comércio e cadeias globais de valor, a integração internacional amplia em até 20% a produtividade média das indústrias inseridas no comércio exterior, viabilizando a absorção de inovação e a transferência de conhecimento tecnológico para o parque produtivo nacional.
A materialização dessa visão estratégica refletiu-se no último dia 20, por exemplo, na assinatura do acordo inédito entre a Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB) e o Ciesp, unindo forças para gerar novos negócios entre pequenas, médias e grandes empresas brasileiras e francesas. A relevância desse intercâmbio fica evidente nos números: a França consolida-se de forma expressiva no cenário nacional, contando com cerca de 1.300 empresas instaladas em solo brasileiro que geram 550 mil empregos diretos, conforme dados institucionais da CCIFB. Essa parceria também ecoa a integração estratégica do Acordo Mercosul-União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026 e com vigência provisória iniciada em 1º de maio de 2026, projetando a eliminação gradual de tarifas alfandegárias em até 91% dos bens para impulsionar o intercâmbio tecnológico e ampliar o fluxo de negócios estimados em mais de 100 bilhões de euros anuais entre os mercados bilaterais.
Para assegurar que o compromisso não fique restrito apenas ao plano teórico, o projeto já começa a se tornar efetivo com a realização em novembro da 1ª Rodada de Negócios Brasil-França, cujas inscrições estão abertas até o próximo dia 8/11. O modelo da Rodada é focado em agilidade e escala, reunindo empresas âncoras (compradoras) e fornecedores estratégicos para promover reuniões qualificadas B2B (de empresa para empresa) de dez minutos, desenhadas para acelerar parcerias e cadeias de suprimentos tecnológicas. Diferentemente do formato tradicional, em que todas as rodadas aconteciam exclusivamente entre empresas brasileiras, esta iniciativa conecta o ecossistema paulista à expertise estrangeira.
Além desta parceria europeia, a estratégia de expansão internacional do Ciesp também mira horizontes inovadores no relacionamento com o Japão. Para estreitar esses laços, o Ciesp já realizou visitas institucionais à fábrica da Toyota e, na última segunda-feira (26 de outubro), promoveu a palestra “Macrotendências Mundiais até 2040” para as 113 lideranças de empresas da Associação Nikkey Empreendedores do Brasil em São Paulo.
Dados recentes do Banco Central e da balança comercial apontam que a veia exportadora e a atração contínua de investimentos estrangeiros diretos, que ultrapassam a casa dos 70 bilhões de dólares anuais, comprovam cabalmente que a nação não pode se isolar. O intercâmbio global é, portanto, peça-chave para transformar o Brasil em protagonista da tecnologia e da sustentabilidade. No Ciesp, em suma, também temos tido entre nossos firmes propósitos apoiar e incentivar as relações bilaterais, compreendendo que as empresas brasileiras precisam cada vez mais se abrir para o cenário internacional. Conectar a indústria nacional ao mundo é o caminho definitivo para garantir inovação, segurança econômica e um futuro próspero para o país.
FRANCESCONI JÚNIOR é primeiro vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp