A artista plástica jundiaiense Cristina Canova teve sua obra exposta no Carrousel du Louvre, em Paris, na França, durante a exposição ART SHOPPING, realizada entre os dias 23 e 25 de outubro de 2026, como parte do Salon International d’Art Contemporain. A participação foi apresentada pela Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture, sob a curadoria de Diva Pavesi.
Cristina e a presidente Diva Pavesi
Ceramista e arte-educadora, Cristina levou à mostra internacional uma produção marcada pela relação entre a matéria, as experiências pessoais, a identidade brasileira e a reflexão sobre o universo e a vida.
As inspirações para a produção
Formada em Artes Plásticas em 1987, com pós-graduação em Educação e Arteterapia, Cristina construiu sua trajetória entre a educação e a produção artística em seu próprio ateliê. Há mais de duas décadas, trabalhava com mosaicos, mas foi há cerca de cinco anos que se interessou por um curso de cerâmica, inicialmente com o objetivo de produzir suas próprias tesselas, pequenas peças utilizadas na composição dos mosaicos. O contato com a técnica, porém, despertou uma nova paixão. “Comecei a me descobrir em cada peça realizada”, conta a artista, que atulmemente também leciona no Colégio Leonardo, onde possui um espaço dedicado ao ensino da cerâmica.
Seu trabalho já esteve presente em exposições coletivas em Barcelona, Londres, Turim e Grottaglie, na Itália, além de Cidade do México e São Paulo. A participação em Paris amplia esse percurso, levando sua expressão artística a um público internacional e fortalecendo o diálogo entre a produção brasileira e o cenário cultural parisiense.
Para a artista, a cerâmica representa mais do que uma técnica. Em seu perfil pessoal nas redes sociais, Cristina resume a relação com o material: “O barro me ensinou a amar a vida”. A declaração expressa a dimensão pessoal que atribui ao processo criativo, no qual o contato com a matéria se relaciona à maneira de perceber e interpretar o mundo. Em suas criações, a cerâmica transcende sua dimensão material para explorar novas possibilidades de expressão, revelando a delicadeza dos gestos e a força da criação artística.
As viagens também são parte importante dessa construção. Cristina conta que, ao conhecer diferentes lugares, passou a observar com mais atenção a riqueza de detalhes e conhecimentos presentes no universo. Essas experiências são incorporadas à criação por meio de formas, cores e composições próprias. “O universo transborda de saberes e detalhes, basta olhar com o segredo da alma”, afirma. Ela também destaca a influência do tempo e do fogo, elementos que participam da transformação do barro e contribuem para a singularidade de cada peça.
Essa concepção aparece ainda na maneira como a ceramista define suas obras: cada peça é um poema, uma memória materializada. A proposta é transformar vivências e lembranças em objetos concretos, capazes de preservar referências pessoais e despertar interpretações em quem observa as obras, ampliando as possibilidades de reflexão sobre a vida e o universo.
Segundo Cristina, a cerâmica deixa de ser apenas matéria-prima e passa a funcionar como uma forma de narrar experiências sem depender exclusivamente das palavras. A textura, o formato e as marcas do processo de fabricação participam da expressão artística, estabelecendo uma relação entre a materialidade do barro, a identidade brasileira e aquilo que a artista deseja comunicar. Essa pesquisa a levou a participar de exposições no Brasil e no exterior, aproximando sua produção de diferentes públicos.
A chegada até Paris
O ingresso na Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture ocorreu por meio da indicação de um amigo que atua como incentivador das artes e desenvolve um trabalho na cidade de Cunha, no interior de São Paulo. Após a indicação, Cristina apresentou seu currículo e foi aprovada para integrar a instituição há cerca de dez meses. A participação no Carrousel du Louvre representa, assim, um marco significativo em sua trajetória. Além da exposição em si, Cristina também foi laureada como membro da academia francesa.
Aos 62 anos, maravilhada com a oportunidade de apresentar seu trabalho em Paris, a artista espera que a experiência contribua para ampliar o reconhecimento de sua produção artística. Para ela, "a exposição internacional representa não apenas uma conquista pessoal, mas também uma oportunidade de dar maior visibilidade ao trabalho desenvolvido ao longo de décadas e aproximá-lo do público de Jundiaí".
A artista foi laureada pela Divine Académie como membro da academia francesa