29 de outubro de 2026
OPINIÃO

Vote, mas vote pela dignidade


| Tempo de leitura: 3 min

Eu não sei vocês, mas eu me senti indignada com o nível das campanhas eleitorais deste ano. Sobraram ataques frívolos, propostas inconsistentes, clima de torcida periférica, enquanto os dilemas do Brasil - incluindo a sua alta dívida pública - não passavam pelo discurso dos postulantes a cargos públicos. 

No debate da semana passada, entre Lula e Flávio Bolsonaro, desliguei a tevê. Na verdade, sobraram ataques e faltaram propostas concretas. A Lula, que mordeu a isca e se desestabilizou frente a Bolsonaro e a Flávio, que demonstrou sua falta de aptidão e experiência na gestão pública. E a nós, que pagamos ambos os salários, além de eventuais esquemas de corrupção, seja à direita ou à esquerda. E, acima disto, paira Vorcaro, que não tinha ideologia e gostava de corromper a todos. 

Creio que o discurso político é de mera invencionice marketeira. “Vou acabar com a criminalidade fazendo isso, aquilo”... Será mesmo?  A nossa criminalidade vem de uma sociedade sem educação, sem direitos, pobre e analfabeta, além dos grandes corruptores da lavagem de dinheiro para o tráfico de drogas, que estão na av. Paulista ou Faria Lima, escondidos sob escritórios suntuosos. Nossa verve é corruptiva. Nosso povo convive com a corrupção desde sempre. Sob uma polícia ineficaz e um sistema jurídico que, muitas vezes, beneficia quem pode pagar mais.  

Nossos problemas são estruturais e demandam um trabalho sério, competente e técnico. Nenhum político que ora se apresenta está disposto a isso. A gestão pública não pode e não deveria estar à mercê de candidatos. Nosso sistema presidencialista e federativo está falido. Está na hora de pensarmos em outro tipo de administração pública e representação política. 

No mundo ideal, políticos deveriam fazer política. Técnicos e gestores deveriam tocar o dia a dia administrativo, com responsabilidade fiscal, gestão decente e implantação de política pública de fato. Quando o político brinca de TikTok, faltam vagas nas creches, na educação e leitos no hospital público. E quem paga por isso? A população mais pobre. 

Não há magia. Para votar hoje, é preciso ter o pé no chão. E, convenhamos, escolher o menos ruim para nossa democracia, para nossa cultura, para o desenvolvimentos e garantias sociais. Há um fator mais importante: o Brasil não pode ficar ajoelhado frente a uma outra nação, muito menos a americana, que tem milhões de problemas para resolver em território interno. Desde a Inconfidência Mineira, buscamos liberdade e os brasileiros não podem abrir mão da soberania nacional, independência e construir seu próprio caminho.

Infelizmente, não podemos ser irresponsáveis. Esta política que ora se apresenta não nos serve mais. Democraticamente, vamos escolher nosso próximo presidente. Vamos respeitar o resultado das urnas e observar, com atenção, os próximos movimentos. Se o novo mandato não nos servir, vamos tirar o presidente de lá. Já fizemos isso antes e o faremos de novo. Democraticamente, pelas urnas, com respeito ao nosso passado e ao nosso futuro. 

Mandatos não são vitalícios. O povo brasileiro se cansou. Se a gestão pública for horrível, se a segurança e a saúde não melhorarem, se tirarem direitos básicos nossos, ou duras conquistas efetivadas, como bolsa família ou outros programas sociais, a gente se levanta. Porque a força está no povo e não em seus representantes.  É importante votar com a representação do que somos, mulheres, negros, LGBTQPNA+, trabalhadores, empreendedores e saber quem estará ao nosso lado sempre, promovendo a ascensão da nossa população mais vulnerável, garantindo direitos como o SUS e SUAS, cultura e dignidade. 

Povo brasileiro, vote com consciência. Boa sorte a todos nós!

 

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ