E agora sim que vai aparecer o verdadeiro candidato. O cara que se escondeu e agora apareceu. Entrou no debate, entrou e não saía, ficava atrás, sempre à sombra do adversário.
Se as direitas estão muito em ordem aqui em Jundiaí, o mesmo não está acontecendo no país. Aqui, o convívio de políticos é necessário, e o fazem bem. Por aqui, nada iria mudar, desde que pudéssemos continuar com as políticas de valorização da arte, da promoção dos artistas, dos músicos, dos artesãos e das mulheres, que, nos editais, são valorizadas, têm pontuação, assim como os negros e indígenas. Isso vai mudar.
Parece que é preciso deixar claro que qualquer política de cotas e incentivos oferecidos pelo governo está na mira das devastações de políticos radicais, que assustam eleitores que têm filhos, netos, amigos negros, pretos e gays. Não vão poder formar-se.
Milhares de engenheiros, advogados, arquitetos e professores só puderam estudar por conta desses auxílios do governo brasileiro que agora vão acabar.
Em matéria da Folha de S.Paulo do dia 21 de outubro, as políticas culturais do governo de Jair Bolsonaro, que causaram apreensão e medo no setor cultural, podem voltar a acontecer a depender dos resultados dessas eleições. Medidas como a possível extinção da ANCINE, cortes nas aprovações da Lei Rouanet e boicote do governo a eventos culturais contrários ao governo de extrema direita são pautas debatidas na matéria “O que será do Ministério da Cultura nos possíveis governos de Flávio ou Lula”, de Eduardo Moura.
Independentemente de quando o governo de Jair findou, sua gestão já deixou suas marcas no segmento cultural e é avaliada por artistas e gestores culturais como a pior desde a criação do ministério, em 1953. A própria inexistência do MinC e a elaboração do livro sobre a temática são a mais pura prova disso, dizem os autores Rafael Moreira e Lincoln Spada no livro “O Fim do Ministério da Cultura: Reflexões sobre as Políticas Culturais na Era Pós-MinC”..
Somando as lembranças do Ministério da Cultura, em 2019, quando virou uma secretaria e o prometido projeto de manutenção, a extinção certamente vai se repetir na gestão Flávio, se for eleito. O MinC vai voltar a ser secretaria.
Diretores de museus não se manifestam, estão quietos, apreensivos com o futuro, que começa em 2027. E esse festival de thriller continua, ultrapassa o que a gente não imagina, vai além do que o melhor romancista previu: seja na ficção, como George Orwell, em “A Revolução dos Bichos”, ou no festival de cinema, com o antológico Bent, que narra a história de um homem gay enviado a um campo de concentração na Alemanha nazista.
Seja qual for o governo, tudo vai ser diferente. As eleições têm resultados claros, e projetos já antecipados para a exclusão do Iphan pelo deputado federal Coronel Augusto, do PL, mesmo partido do candidato à Presidência, mostram como será a gestão. O Iphan, que atua ininterruptamente desde 1936 em defesa do patrimônio, salvou Ouro Preto, orgulho nacional e destino de turismo internacional! Vai virar o quê? O que está salvo também passa a ser vulnerável. Frágil.
Assim como a taipa na chuva, se não for protegida e revestida, derrete, acaba. Amanhã você decide!
Eduardo Carlos Pereira é arquiteto, urbanista e artista integrante do Grupo Segurança, participante da 12ª Bienal Internacional de São Paulo (1973).