Uma das mais importantes conquistas democráticas da atualidade brasileira é a realização de eleições diretas e frequentes. Como resultado, os eleitores são chamados a exercer o direito ao voto e escolher o presidente para os próximos quatro anos, ou no caso específico, a reeleição de um deles. Neste segundo turno, ocorrerá apenas nas eleições para presidente e vice-presidente da República. Dessa forma, como previsto na Constituição, a possibilidade de realização do segundo turno está relacionada à adoção do critério da maioria absoluta dos votos (50% + 1).
Começou o novo horário político eleitoral. O oportunismo barato, as fake news, as negações de escândalos de corrupção, dados econômicos alterados, declarações inverídicas sobre a origem de bens e riquezas, disseminação em massa de boatos, fotos adulteradas, conteúdos falsos, enfatizar apenas dados falsos, ignorar estatísticas negativas, a mentira na política, tudo é levado ao eleitor para convencê-lo ao voto favorável.. E na prática, a campanha dos candidatos. Entendendo-se que o voto, no mais das vezes, não é a aposta numa ideia e sim, um ato de fé, é compreensível que os candidatos a cargos políticos pretendam, em suas arengas, atingir mais o coração do que o cérebro de seus eleitores.
Todavia, a história tem revelado que muitos candidatos, nas eleições, têm o péssimo vício de se arvorarem no monopólio da virtude. E, em nome dessas pretensas qualidades, se julgarem acima do bem e do mal. Praticam, na verdade, sem o menor constrangimento, todos os pecados, que antes atribuem aos seus adversários. Não há remorsos nem problemas de consciência. Mas não deixa de continuarem a emitir suas arengas, vender suas fantasias, como se o povo continuasse estacionado no tempo, sem ter apreendido a pensar. Fazem oposição à própria sombra. Elogiam os caminhos da união em público, e são os primeiros a criticá-la nos bastidores. Atacam e denigrem os adversários, mesmo os íntegros e bem intencionados, através da pobre genialidade dos rotuladores de plantão. Não toleram a verdade alheia, como gostariam que as suas fossem toleradas.
Da eleição de um Papa a uma melhor escola de samba, os entendidos são pródigos em análises e previsões. Os formadores e informadores de opinião torcem por seus candidatos como se a eleição deles representasse um ciclo de ouro para o País. Homens públicos, como sabemos, possuem um discurso mais mítico do que racional. Certas palavras possuem um conteúdo semanticamente forte, tais como democrático, social, progressista, trabalhista, liberal, renovador, sustentável, nacional, maioria, soberania, etc. É raro que um candidato não inclua algumas destas palavras em sua oratória. Mas, pensemos. Tenho assistido aos programas eleitorais. São promessas e promessas dos candidatos todas elas genéricas: melhoria na educação, saúde, habitação, transporte, segurança. Bem sabemos que o Estado não pode dar a ninguém, algo que antes não tenha tirado de alguém – não existe transporte, educação, saúde, habitação ou segurança gratuita. Alguém paga por estes serviços, seja usuário, individualmente, por meio de tarifas ou mensalidades, seja a comunidade como um todo, por intermédio de impostos. É hora, portanto, do eleitor redobrar a atenção, exercer sua cidadania, analisar a qualidade dos candidatos e a seriedade com que aspiram um cargo público. - “reforcemos nosso olho crítico em relação aos candidatos, para votarmos em quem realmente vale à pena” . Mentira política é profundamente negativa. Seus efeitos são devastadores no Brasil. Pense.
Guaraci Alvarenga é advogado