Outubro convida a Igreja a renovar sua consciência missionária e a recordar que a missão nasce da própria identidade cristã. Pelo Batismo, cada fiel recebe a graça e a responsabilidade de testemunhar o Evangelho na família, na comunidade, no trabalho, nas relações sociais e onde a vida pede cuidado e esperança. A missão acontece também na escuta paciente, na proximidade com quem sofre, na atenção aos pobres, aos enfermos, aos idosos, às famílias feridas e àqueles que se afastaram da vida comunitária. Uma Igreja missionária reconhece as necessidades concretas do povo e oferece, por palavras e gestos, a misericórdia que recebeu do Senhor.
Em nossa Diocese, esse espírito se manifesta nas Assembleias Sinodais Forâneas, iniciadas em setembro. Elas constituem um tempo precioso de escuta, comunhão e discernimento sobre a caminhada pastoral de nossas comunidades. O processo sinodal recorda que todos somos corresponsáveis pela evangelização e que a missão cresce quando padres, diáconos, religiosos (as) e leigos (as) caminham juntos, partilhando experiências, percebendo desafios e buscando caminhos para uma presença cada vez mais próxima das pessoas. Agradeço especialmente a todos que participam deste processo, oferecendo seu tempo, sua oração e sua experiência.
Neste dia 4 celebramos também São Francisco de Assis (c. 1181–1226), cuja memória ganha significado especial pelos oitocentos anos de sua passagem para a eternidade. Francisco fez do Evangelho um modo de viver. Sua simplicidade, sua proximidade com os pobres, sua busca pela paz e seu amor por toda a criação continuam a falar com grande força ao nosso tempo. Sua vida nos ensina que a fraternidade se constrói pela capacidade de reconhecer o outro como irmão e pela disposição de cuidar da casa comum que Deus confiou à humanidade. O Papa Francisco (1936–2025), na encíclica Fratelli tutti, recordou que a fraternidade e a amizade social orientam a vida coletiva para o bem comum e para a dignidade de cada pessoa.
Outubro será também marcado pelas eleições gerais. Neste dia 4 de outubro, os brasileiros são chamados às urnas para o primeiro turno das eleições de 2026. Esse momento pede serenidade, consciência e responsabilidade. O voto integra a vida democrática e deve ser exercido com discernimento, atenção à trajetória dos candidatos, às propostas apresentadas e às consequências concretas das escolhas para a sociedade. É importante considerar o compromisso com a dignidade da pessoa humana, a justiça, a paz, a família, os mais pobres, a liberdade, a honestidade na vida pública e a promoção do bem comum. A doutrina social da Igreja compreende a participação política como espaço de responsabilidade diante da sociedade. O Papa Francisco ensinou também que a política, quando verdadeiramente orientada ao bem comum, constitui uma das formas de exercício da caridade social.
Num tempo em que tantas discussões públicas se tornam agressivas, somos chamados a preservar o respeito, a verdade e a capacidade de diálogo. Peçamos a Deus que ilumine todos os eleitores, concedendo sabedoria, prudência e liberdade interior para o cumprimento desse dever cívico.
Que o Espírito Santo conduza nossas Assembleias Sinodais Forâneas e renove em todos nós o ardor missionário. Que São Francisco de Assis nos ensine a fraternidade, a simplicidade e o cuidado. Que Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, proteja nosso povo e interceda por nossa nação, para que saibamos construir uma sociedade mais justa, fraterna e reconciliada.
Dom Arnaldo Carvalheiro Neto é bispo diocesano