01 de outubro de 2026
MÚSICA PARA TODOS

Jovens da Fundação CASA levam musica e tradição para Sesc Jundiaí

Por Redação |
| Tempo de leitura: 6 min
11ª edição do Festival de Música da Fundação CASA, o MusiCASA, realizada nesta segunda-feira (28/9), no Sesc Jundiaí

Ritmos, instrumentos e manifestações da cultura nordestina ganharam diferentes interpretações na quinta etapa da 11ª edição do Festival de Música da Fundação CASA, o MusiCASA, realizada nesta segunda-feira (28/9), no Sesc Jundiaí. Ao todo, 58 adolescentes de oito centros das regiões Metropolitana de São Paulo, Litoral Norte, Vale do Paraíba e Campinas participaram da programação, que percorreu o forró, o baião, a ciranda, o maculelê, o samba de coco e outras referências da música popular brasileira.

A edição deste ano propôs aos participantes uma aproximação com a diversidade cultural e musical do Nordeste, a partir de referências tradicionais e contemporâneas. Os adolescentes tiveram contato com diferentes gêneros e manifestações e desenvolveram releituras de obras conhecidas, composições próprias, arranjos instrumentais e trabalhos coletivos.

No CASA Atibaia, os “Curimbeiros de Atibaia” combinaram maculelê, atabaque e cantigas em homenagem à Bahia e às suas tradições. A proposta deu continuidade ao trabalho desenvolvido pelo grupo com elementos da cultura de matriz africana e explorou uma manifestação que reúne dança, música e movimentos com bastões. O repertório incluiu “Força Baiana” e “Boa Noite”.

O CASA Campinas apresentou uma interpretação de “Numa Sala de Reboco”, de Luiz Gonzaga. O arranjo foi desenvolvido para uma formação de camerata de violões, explorando a sonoridade conjunta dos instrumentos. A escolha da obra permitiu aos participantes trabalhar referências ligadas às tradições nordestinas e à capacidade da arte de aproximar pessoas.

No CASA Caraguatatuba, a diversidade da música nordestina e suas diferentes influências históricas e culturais orientaram a escolha do repertório. A viola caipira fez a ligação entre a tradição da música de repente e a produção de artistas da região. Foram interpretadas “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, e “Heavy Metal do Senhor”, de Zeca Baleiro, aproximando diferentes sonoridades e gerações da música brasileira.

A unidade Jacareí levou ao palco o grupo “Casa de Cabra Bão”, formado por quatro adolescentes, em uma performance instrumental dedicada ao forró. Triângulo, atabaque, pandeiro e violão deram forma a uma sonoridade inspirada nas festas e tradições nordestinas. A iniciativa também valorizou a relação entre a expressão artística e as referências culturais dos participantes.

No CASA Maestro Carlos Gomes, de Campinas, a música ganhou um sentido especial de memória e reconhecimento. “De Sol a Sol”, composição instrumental de Allan Azevedo, educador de violão do Guri, foi criada em homenagem ao servidor Abenahildo Alencar da Silva, conhecido como Seu Abe, que faleceu em julho deste ano. Com influências nordestinas, a obra foi interpretada pelos adolescentes e trouxe ao palco sentimentos de saudade, carinho e gratidão pela trajetória do agente de apoio socioeducativo do centro.

O coral do CASA Manacá da Serra, em Franco da Rocha, apresentou “Suíte Nordestina”. A obra reúne cantigas tradicionais em uma composição coral que explora diferentes ritmos, melodias e características do repertório popular da região. Dividida em quatro movimentos, a peça percorreu diferentes sonoridades do cancioneiro nordestino e evidenciou a diversidade desse patrimônio cultural.

Também de Franco da Rocha, o CASA Novo Tempo apresentou uma releitura que reuniu ciranda, baião e maculelê. O arranjo combinou “Canção da Partida”, de Dorival Caymmi, “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e “Boa Noite (Maculelê)”. A proposta integrou diferentes sonoridades e referências culturais, estimulando a experimentação e o aprendizado musical.

Já o CASA Tapajós, de Franco da Rocha, desenvolveu uma experiência baseada na pesquisa e na vivência da cultura popular nordestina. O repertório percorreu o samba de coco, a ciranda e o baião, com releituras de “Bumba Chora”, em referência à gravação de Dona Glorinha do Coco; “Minha Ciranda”, de Lia de Itamaracá; e “Baião de Ninar”, de Edino Krieger.

Todo o processo contou com acompanhamento pedagógico e musical dos educadores dos centros socioeducativos e dos profissionais do Guri, programa de educação musical do Governo do Estado de São Paulo, realizado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e gerido pela Santa Marcelina Cultura.

“O MusiCASA mostra como a cultura pode contribuir para a formação dos adolescentes durante a medida socioeducativa. Ao conhecer diferentes ritmos, artistas e manifestações culturais, eles ampliam seus horizontes e encontram na música uma oportunidade de expressão, convivência e desenvolvimento. Neste ano, o tema valoriza uma das mais ricas e diversas matrizes culturais do país e permite que os participantes conheçam e interpretem esse patrimônio por meio da própria criatividade”, afirma o secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Arthur Lima.

Criado em 2014, o MusiCASA é realizado anualmente pela Fundação CASA, por meio da Gerência de Arte e Cultura (GAC), e reúne adolescentes de diferentes centros em processos desenvolvidos ao longo dos meses que antecedem o festival. A iniciativa combina formação musical, expressão artística e convivência, permitindo que os participantes ocupem o palco como protagonistas.

Para o presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda, a experiência musical também contribui para o desenvolvimento de habilidades que podem ser levadas para diferentes momentos da vida. “A música proporciona uma experiência muito rica porque envolve dedicação, convivência, disciplina e criatividade. O adolescente precisa se preparar, ouvir o outro, trabalhar em grupo e, no momento da apresentação, assumir o protagonismo. São aprendizados que fazem parte da formação para a vida e ajudam a ampliar as possibilidades de futuro”, afirmou.

Em 2026, cerca de 410 adolescentes de 51 centros de internação da instituição participam do MusiCASA. As atividades são realizadas de forma regionalizada em sete unidades do Sesc no Estado de São Paulo: Santo Amaro, Sorocaba, Rio Preto, Araraquara, Jundiaí, 24 de Maio e Bauru.

“Quando aproximamos os adolescentes da cultura, estamos oferecendo a eles a oportunidade de conhecer outras histórias, outros lugares e outras formas de expressão. O MusiCASA faz isso por meio de uma linguagem que dialoga diretamente com eles: a música. É uma iniciativa que valoriza talentos, fortalece vínculos e mostra que a arte pode abrir novos caminhos”, completou Acacio.

 

Uma viagem pelo Nordeste

A edição de 2026 convidou os participantes a conhecer e explorar a diversidade cultural e musical do Nordeste, passando por referências tradicionais e contemporâneas. Entre os artistas apresentados como inspiração para os trabalhos estiveram Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Maria Bethânia, Chico Science, Lenine, Zeca Baleiro, Chico César, João Gomes e Hermeto Pascoal.

Também foram trabalhadas referências como o Movimento Armorial, idealizado pelo escritor Ariano Suassuna, além de manifestações como a literatura de cordel, a rabeca, o pífano e a xilogravura.

A proposta foi apresentar o Nordeste a partir de sua pluralidade cultural e musical, aproximando os adolescentes de obras, artistas e manifestações que atravessam gerações e estimulando novas interpretações a partir das experiências vivenciadas durante as oficinas.

 

Sobre a Fundação CASA

A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização.