24 de setembro de 2026
CAMPO SUSTENTÁVEL

RMJ amplia ações para uma produção rural sustentável

Por Giovanna Vianna |
| Tempo de leitura: 3 min
Sítio-escola mantém produção orgânica e recebe estudantes para atividades de agroecologia

Produzir alimentos sem deixar de cuidar do solo e dos recursos naturais tem levado os municípios da Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) a adotarem diferentes estratégias no campo. Em Jundiaí, há incentivo financeiro para melhorias nas propriedades. Em Várzea Paulista e Itupeva, resíduos de poda são transformados em material orgânico para uso na agricultura. Jarinu remunera produtores por ações de conservação ambiental e Louveira incentiva o cultivo protegido e a redução do uso de agroquímicos.

Em Jundiaí, as ações estão concentradas no Programa Municipal de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Em 2026, foram destinados R$ 1,5 milhão para 180 propriedades rurais, com recursos para conservação e recuperação do solo, adequação ambiental, tecnificação da agricultura, seguro agrícola e apoio ao agronegócio sustentável.

O programa também contempla práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais. A Secretaria de Agronegócio, porém, informa que não possui dados sistematizados sobre quantos produtores adotam técnicas específicas, como compostagem, adubação verde, controle biológico e sistemas agroflorestais.

Na propriedade da agricultora Teresa Staell, produtora de orgânicos, o cuidado com o solo e com as plantas faz parte do manejo. Nos dias de ventos e chuvas, ela utiliza cobertura morta, para proteger os canteiros. “A gente adota algumas medidas justamente para evitar perdas. Os meus canteiros já são cobertos, mas a gente cobre mais ainda com cobertura morta, que é capim seco. Até a parte da irrigação precisa ser muito bem pensada em horário, em quantidade. Isso muda bastante a produção”, diz. 

O manejo também muda de acordo com a cultura. Para plantas mais sensíveis, como o manjericão, Teresa utiliza sombrite para reduzir os efeitos do frio e da umidade durante a noite. “Algumas culturas mais sensíveis, como manjericão, por exemplo, a gente cobre de sombrite para que ele não tenha excesso daquela umidade noturna e o frio também não atinja tanto ele para não queimar”, afirma.

Na região

Em Várzea Paulista, um sítio-escola no bairro Chácaras Santa Martha utiliza a agricultura orgânica como ferramenta de educação. O espaço mantém plantações de hortaliças e frutas orgânicas e recebe estudantes para atividades relacionadas à agroecologia, alimentação saudável e produção no campo. O projeto é sem fins lucrativos e utiliza a chamada agropedagogia para aproximar crianças e jovens da natureza e do cultivo de alimentos. Segundo a Prefeitura, mais de 2,8 mil pessoas já passaram pelo local para conhecer a produção orgânica.

O município também reaproveita resíduos de poda. Galhos e outros materiais vegetais são triturados e podem ser utilizados como adubo orgânico. O material é usado, inclusive, nas hortas comunitárias dos bairros Cidade Nova II e Vila Santa Terezinha.

Em Jarinu, produtores podem receber pelo trabalho de conservação realizado dentro das propriedades. O Programa Municipal de Pagamento por Serviços Ambientais considera ações como proteção e recuperação de nascentes, irrigação de baixo impacto, restauração de vegetação nativa, proteção do solo, conservação da biodiversidade e controle natural de pragas.

Em Louveira, o município incentiva o cultivo protegido, com estruturas que ajudam a proteger as plantações de chuva, granizo, geadas e baixas temperaturas. Entre os objetivos do programa estão a redução do uso de agroquímicos e a adoção gradual de sistemas orgânicos. Os produtores também têm acesso a assistência técnica, material triturado para cobertura do solo e serviços para controle de erosão nas propriedades.

Em Itupeva, resíduos de poda e remoção de árvores são transformados em composto orgânico e distribuídos gratuitamente aos agricultores. O material pode ser utilizado para melhorar as condições do solo, aumentar a retenção de umidade e ajudar no controle da erosão.