“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais ele fará.” Salmo 37:5
Entre tantos versículos que acalmam o coração e renovam a esperança, esse é, para mim, um dos mais difíceis de viver.
Talvez porque ele nos peça justamente aquilo que mais temos dificuldade de fazer: entregar e confiar.
Duas palavras simples, mas que carregam uma grande exigência.
Entregar alguma coisa a alguém significa abrir mão, ainda que por um instante, daquilo que estava sob nossas mãos. E isso pode ser difícil até quando se trata de algo simples. Imagine, então, entregar o nosso caminho.
Porque o nosso caminho não é apenas para onde estamos indo. Ele é tudo aquilo que construímos ao longo da vida: nossas escolhas, sonhos, crenças, planos, relações e convicções. É a história que fomos escrevendo e aquilo que desejamos que aconteça daqui para frente.
Como entregar tudo isso?
E, depois de entregar, ainda somos convidados a confiar.
Talvez essa seja uma das maiores dificuldades do nosso tempo. Vivemos em uma realidade em que somos constantemente lembrados de que pessoas podem nos decepcionar, planos podem mudar e aquilo que parecia seguro pode deixar de ser. Aprendemos a controlar, prever, antecipar e, principalmente, a não depender.
Mas existe um paradoxo nisso tudo: quanto mais tentamos controlar todas as coisas, mais percebemos que existem caminhos que simplesmente não estão sob o nosso controle.
Não sabemos o que acontecerá amanhã.
Não conseguimos prever todas as circunstâncias.
E, por mais fortes e independentes que nos tornemos, continuamos precisando de pessoas, de vínculos e de um lugar seguro onde possamos descansar.
É nesse lugar que encontro em Jesus não apenas uma resposta religiosa, mas alguém a quem posso entregar aquilo que não consigo resolver, controlar ou prever.
Jesus não prometeu que o caminho seria livre de dificuldades. Mas nos ensinou que não precisamos atravessá-lo sozinhos.
Entregar o caminho é fazer a nossa parte sem precisar controlar todas as etapas. É continuar caminhando, mas sem acreditar que precisamos conhecer todo o percurso.
E confiar é escolher acreditar que, mesmo quando não enxergamos o próximo passo, podemos colocar nas mãos de Deus aquilo que mais desejamos, aquilo que mais tememos e até aquilo que ainda não sabemos como resolver.
Acredito que a fé comece justamente quando percebemos que não precisamos ter todas as respostas para continuar caminhando.
Entregar. Confiar. E seguir.
Porque há um amanhã que ainda não conhecemos, mas que já é conhecido por Aquele em quem escolhemos confiar.
Paula Passos é pedagoga, pós-graduada em Educação Parental e MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas (em andamento).