15 de setembro de 2026
INVESTIGAÇÃO

Sessão no STF tem bate-boca nesta terça-feira (15)

Por Redação |
| Tempo de leitura: 3 min
Rosinei Coutinho/STF
O julgamento foi suspenso pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, em razão do horário eleitoral gratuito, e será retomado às 15h

A primeira parte da sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada, nesta terça-feira (15), por bate-boca entre integrantes da Corte e declarações de impedimento. O julgamento foi suspenso pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, em razão do horário eleitoral gratuito, e será retomado às 15h.

Esta é a primeira vez que o STF se reúne para deliberar sobre a abertura de um inquérito contra um dos próprios ministros. A crise teve início após o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, retirar o sigilo de conversas entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão foi antecedida por uma série de vazamentos de diálogos que também envolveram Vorcaro e pessoas ligadas aos ministros Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Nos últimos dias, aliados de Moraes afirmaram que o ministro não seria o único integrante da Corte a ter familiares relacionados ao banqueiro e indicaram que novas revelações poderiam surgir.

Nunes Marques nega relação com Vorcaro

Durante a sessão, o ministro Nunes Marques afirmou que nunca trocou mensagens com Daniel Vorcaro e que jamais julgou processos relacionados ao Banco Master.

Ele também negou que seu filho tenha prestado serviços ou recebido remuneração do banco. O nome do filho do ministro havia sido citado como suposto beneficiário de R$ 500 mil mensais.

Gilmar Mendes e Flávio Dino questionam atuação de Fachin

Os ministros Gilmar Mendes e Flávio Dino criticaram a decisão de Edson Fachin de assumir a relatoria dos inquéritos relacionados ao Banco Master.

Segundo os ministros, a medida estaria em desacordo com o regimento interno do STF. Durante a sessão que analisa o pedido de investigação contra Moraes, ambos também defenderam que o julgamento fosse adiado.

Em sua manifestação, Flávio Dino fez duras críticas à mudança no comando dos processos.

“Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar.”

Moraes critica Mendonça

Alexandre de Moraes participou da sessão ao lado dos demais ministros e defendeu que o pedido envolvendo seu nome fosse analisado conjuntamente com o caso de André Mendonça, cujas ações processuais também estão previstas para serem analisadas pelo plenário em sessão marcada para o próximo dia 23.

Ao se manifestar, Moraes criticou Mendonça e afirmou que o então relator do caso Master teria exigido que a Polícia Federal incluísse “um colega na colaboração premiada”.

Moraes também acusou Mendonça de estar “a serviço de um grupo político que quis dar um golpe nesse país”. O ministro afirmou ainda que pretende indicar testemunhas e advogados para apresentar sua defesa.

Moraes nega irregularidades

Na véspera da sessão, Alexandre de Moraes enviou uma manifestação ao STF negando irregularidades e classificando como “tentativa de vingança” e “farsa” o relatório elaborado pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça.

O ministro afirmou que nunca ajudou o Banco Master ou Daniel Vorcaro. Também declarou que o caso teria motivação político-eleitoral e negou ser autor de mensagens com o ex-banqueiro que indiquem consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de operações policiais.

O julgamento será retomado às 15h, quando os ministros deverão dar continuidade à análise do caso.