A paisagem de Jundiaí está bem diferente do que estamos acostumados a ver. Isso porque as calçadas foram tomadas por wind banners de propaganda política. E eu sei que você já viu pelo menos uma dessas peças publicitárias por aí.
Wind banner é uma espécie de bandeira presa a um mastro fixado em uma base móvel. A vantagem desse tipo de publicidade física é a facilidade em movê-lo para onde quiser. Ele tem esse nome (que significa “bandeira de vento”) por causa da sua principal característica: quando o vento sopra, o tecido balança dando um aspecto dinâmico e chamativo. No mercado, o preço de um kit completo com uma base, uma haste de 2 metros de altura e uma bandeira personalizada gira em torno de R$120,00 a R$245,00.
O problema é que desde o início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto, os centros urbanos foram tomados por esse tipo de publicidade. E quando eu falo "tomados", eu não estou exagerando. Em Jundiaí, por exemplo, o pedestre precisa disputar espaço no passeio público com as bandeiras de vento. Os motoristas, por sua vez, precisam esticar mais o pescoço em um cruzamento porque as bandeiras obstruem a visão dos carros que passam.
Passo todos os dias, a caminho do trabalho, pela avenida Geraldo Simonete - rua onde está instalado o parque de diversões itinerante Luna Park -, e vejo dezenas de wind banners na calçada central da via. Parado no trânsito, resolvi contar quantas bandeiras estavam só ali naquele lugar com cerca de 160 metros de comprimento. Foram 46. Uma média de um wind banner a cada 3,4 metros, ou, uma propaganda política a cada seis passos.
Meu trabalho fica ao lado de dois comitês políticos (os maiores de Jundiaí), e por isso consigo ver a movimentação dos materiais de campanha e, assim, a olho nu e sem nenhuma contabilidade oficial, posso afirmar que a mulher do prefeito e o ex-prefeito (candidatos à uma cadeira em Brasília), juntos, possuem centenas de wind banners colocados e retirados todos os dias por dezenas de trabalhadores informais que prestam serviços em época de eleição a troco de um salário que não é lá grandes coisas.
Desde que os outdoors foram proibidos pela justiça eleitoral a partir da lei nº 9.504/1997, os candidatos buscaram alternativas para fazer suas propagandas. Porém, espalhá-los aos montes em uma calçada - como estamos presenciando em Jundiaí - fere a Resolução-TSE nº 23.610/2019 que proíbe o uso de equipamentos ou conjuntos de peças de propaganda que, mesmo individualmente permitidos, causam efeito visual semelhante ao de um outdoor.
A mesma resolução só permite a utilização dos wind banners ao longo de vias públicas, desde que sejam móveis, colocados a partir das 6h e retirados até as 22h, e que não dificultem o trânsito de pessoas e veículos. Ou seja, tem muitos candidatos que não estão cumprindo as leis eleitorais.
O irônico é que, em Jundiaí, a legislação municipal (a Lei nº 8.584, de 2016 e mais especificamente o Decreto nº 35.242, de 2025) proíbe o comércio de colocar faixas, banners e, veja você, wind banners em suportes externos ou áreas públicas. “Já que eu não posso colocar na frente do meu comércio, eu não vou permitir que [políticos] coloquem suas propagandas na frente do meu comércio”, disse um barbeiro da cidade em um vídeo que viralizou nas redes mostrando ele remover propagandas eleitorais instaladas em frente ao seu estabelecimento.
O fato é que todo mundo odeia os wind banners. O pedestre que precisa desviar de um a cada seis passos, o motorista que precisa esticar o pescoço para ver melhor a via, o trabalhador que precisa colocar e tirar centenas deles todos os dias por merreca, os políticos que gastam uma pequena fortuna em um material que virará lixo a partir de 4 de outubro, o comerciante que não pode colocar seu wind banner na rua e principalmente a cidade que está cada dia mais cafona.
Conhecimento é conquista.
Felipe Schadt é jornalista, professor e cientista da comunicação