Você já ouviu falar em síndrome metabólica? O nome pode parecer complicado, mas representa uma situação cada vez mais comum: várias alterações acontecem ao mesmo tempo no organismo e, silenciosamente, aumentam o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.
Não se trata de uma única doença. A síndrome metabólica é caracterizada pela combinação de fatores como aumento da gordura abdominal, pressão arterial elevada, glicemia aumentada, triglicerídeos altos e redução do HDL, conhecido como o “bom colesterol”. Quando três ou mais desses fatores estão presentes, acende-se um importante sinal de alerta.
E existe uma fase da vida feminina em que precisamos prestar ainda mais atenção: a transição menopausal. Com a redução dos estrogênios e as mudanças naturais do envelhecimento, podem ocorrer alterações na composição corporal, na distribuição da gordura, no perfil lipídico e na sensibilidade à insulina. Muitas mulheres percebem maior facilidade para acumular gordura na região abdominal, justamente aquela mais relacionada ao risco metabólico.
Por isso, talvez seja hora de trocar a pergunta “como evitar engordar na menopausa?” por outra muito mais importante: como preservar minha saúde metabólica?
Uma das respostas está nos músculos. O músculo não serve apenas para produzir movimento
ou modificar a aparência do corpo. É um tecido metabolicamente ativo e um dos principais responsáveis pela utilização da glicose. O exercício muscular melhora a sensibilidade à insulina e contribui para o controle da glicemia. Preservar massa e força muscular ao longo dos anos significa também proteger metabolismo, ossos, autonomia e capacidade funcional.
Por isso, especialmente a partir da meia-idade, o treinamento de força deixa de ser apenas uma questão estética e se torna uma importante estratégia de saúde. Ele deve ser associado aos exercícios aeróbios, como caminhada, corrida, bicicleta ou natação, além de mais movimento ao longo do dia. Afinal, não adianta treinar uma hora e permanecer sentado durante todo o restante do tempo.
A alimentação completa esse cuidado. Mais do que dietas extremamente restritivas, precisamos de consistência: verduras, legumes, frutas, fibras, leguminosas, proteínas de qualidade e alimentos menos processados devem ganhar espaço, enquanto o excesso de açúcar, farinhas refinadas e ultraprocessados deve diminuir.
Sono, controle do estresse e recuperação também fazem parte dessa equação. Nosso metabolismo responde ao conjunto dos nossos hábitos.
E atenção: exercício e alimentação não substituem acompanhamento médico. Pressão arterial, circunferência abdominal, glicemia, triglicerídeos, colesterol e outros indicadores precisam ser avaliados individualmente. Na menopausa, esse acompanhamento torna-se ainda mais importante.
A boa notícia é que muitos dos fatores relacionados à síndrome metabólica podem ser modificados.
A menopausa não precisa representar uma sentença de ganho de peso, perda de força ou doença. Pode ser o momento de olhar para o corpo de outra maneira e entender que construir músculos, movimentar-se, alimentar-se bem e acompanhar a própria saúde são investimentos para as próximas décadas. Muita saúde a todos.
Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil