06 de setembro de 2026
SAÚDE MENTAL

Estudo identifica risco genético ligado à depressão em jovens

Por Redação | Agência de Notícias de São Paulo
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/Governo de São Paulo
A pesquisa também encontrou relação entre o maior risco genético e a ocorrência de autolesão não suicida entre jovens que já tinham diagnóstico de transtorno depressivo maior

Um estudo com 2.163 crianças e jovens de São Paulo e Porto Alegre identificou uma associação entre um escore de risco genético e a evolução da depressão ao longo do desenvolvimento. Segundo os pesquisadores, indivíduos com maior pontuação apresentaram tendência a uma progressão mais rápida e grave dos sintomas entre a infância e o início da vida adulta.

A pesquisa também encontrou relação entre o maior risco genético e a ocorrência de autolesão não suicida entre jovens que já tinham diagnóstico de transtorno depressivo maior. O comportamento consiste em provocar intencionalmente ferimentos no próprio corpo, sem intenção de causar a própria morte. Os resultados foram publicados em julho na revista Biological Psychiatry.

Um dos principais achados é a aplicação desse marcador em uma população brasileira, caracterizada por elevada miscigenação. A maior parte das pesquisas sobre risco poligênico para transtornos psiquiátricos é baseada em pessoas de ancestralidade europeia, o que pode limitar a precisão dessas ferramentas em outras populações. “Nosso artigo buscou responder se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce”, explica o psiquiatra Marcelo Brañas, da Unifesp.

Os participantes fazem parte da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais, acompanhada há mais de 15 anos para investigar fatores genéticos e ambientais relacionados a transtornos psiquiátricos. Para os autores, os resultados indicam que a genética pode influenciar a trajetória clínica da depressão, mas não permite, isoladamente, prever a evolução de um indivíduo. “Nesse grupo de jovens, o risco poligênico para transtorno depressivo maior demonstrou relativa especificidade diagnóstica e identificou um curso de evolução mais grave da depressão”, afirma o pesquisador Lucas Ito.

A pesquisa foi realizada por cientistas ligados ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), com participação de pesquisadores da Unifesp, USP, UFRGS, Unicamp, UniFAJ e UniMAX. O estudo foi orientado por Euripedes Constantino Miguel, com coorientação de Pedro Mario Pan e mentoria de Lois Choi-Kain, da Universidade Harvard. Os pesquisadores avaliam que a integração de dados genéticos, clínicos e ambientais poderá contribuir futuramente para estratégias de acompanhamento e intervenção precoce.