26 de setembro de 2026
OPINIÃO

Raízes do invisível


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Saudações tradicionais, estimadas pessoas. Em artigo anterior abordamos o altíssimo índice de violência que assola o Brasil, em especial a violência contra as mulheres, jovens negros, crianças, lgbt, religiosos e minorias. A mídia divulgou estarrecedor caso de uma mulher que, ameaçada pelo seu companheiro, foi buscar apoio e ajuda a seus líderes religiosos os/as quais insistiram que ela deveria se manter submissa ao marido! Desesperada ao retornar ao lar recebeu 5 tiros disparados por ele que, por muita sorte, sobreviveu!

O que nos leva a pensar sobre isso: a estatística conclui que 47% das vítimas de feminicídio são mulheres negras e de determinado segmento religioso. Algo precisa ser feito e revisto para reduzir esse pavoroso índice.

Não percamos de vista também a importante necessidade de se revisar todo material didático-pedagógico para o fim de se fazer apresentar a verdade como ela é prestigiando as mulheres, divulgar a presença dos indígenas no Brasil muito antes da invasão de 1500, como também da importância da presença dos povos negros escravizados.

No caso dos escravizados, reparem que insistem em divulgar a pujança e força do agro e ferrovias, ignorando ou melhor: omitindo deliberadamente os ensinamentos trazidos pelos africanos aqui escravizados, pois dominavam a agricultura, a pecuária, a mineralogia, a medicina, a matemática, a astrologia, navegação, entre outros.

No caso da ferrovia, não medem esforços para noticiar o início do meio de transporte e ignoram a mão de obra utilizada na construção da malha ferroviária no final do Século XIX, lembrando que os europeus, por exemplo, quando aqui chegaram a ferrovia já estava funcionando e sequer questionam “quem abriu as estradas e instalou os trilhos?”

O Brasil captou empréstimos estrangeiros em libras esterlinas, editando e colocando no início do ano de 1911 títulos da dívida pública, cujos recursos eram destinados a construção da malha ferroviária, portos, aeroportos e correios.

Em grande medida escondem que utilizavam mão de obra escrava e, para burlar a pressão contra a violência e utilização dessa mão de obra, as empreiteiras contratavam empresas terceirizadas, as quais não estavam obrigadas a seguir as restrições impostas pelo segmento contra o regime escravista e evitar o apagamento da história.

A mudança de foco é brutal e, nesse sentido, a campanha eleitoral 2026, pelos meios de comunicação, exige muito cuidado e atenção diante das promessas lançadas pelas pessoas que buscam espaço no parlamento.  Assustam e impressionam os argumentos utilizados. No mais das vezes sem qualquer nexo ou mínimo atendimento quando, na real, deveriam, se limitar a respeitar o compromisso assumido quando das posses no sentido de cumprir a lei, até porque, como venho afirmando há tempos, temos ferramental jurídico suficiente a atender todas as demandas sem o abuso das promessas midiáticas!

Não nos deixemos levar pelas fantasias e busquemos pesquisar sem ódio gratuito, o histórico dos/as candidatos/as e potencial em construir e entregar políticas públicas evitando ampliar o rol de pessoas que entregam votos aos inimigos. 

Eginaldo Honório é advogado, comendador e  atual presidente da Comissão da Igualdade Racial OAB/Jundiaí