21 de setembro de 2026
OPINIÃO

Eu escolho celebrar a vida


| Tempo de leitura: 3 min

Aniversários nos convidam a celebrar, mas também nos fazem pensar sobre o tempo. Sobre o que passou, o que construímos e, principalmente, sobre a maneira como estamos vivendo os nossos dias. Nesta semana eu completei mais um ano de vida e tive mais uma bela reflexão sobre a vida.

Há quatro anos, na data do meu aniversário, perdi um grande amigo. Desde então, esse dia passou a carregar sentimentos que parecem contraditórios: a alegria de completar mais um ciclo e a saudade de alguém importante que partiu. Mas foi justamente da mulher desse amigo e minha melhor amiga, que ouvi uma frase que nunca mais esqueci: “Eu escolho celebrar a vida.”

No dia do meu aniversário, recebi uma mensagem de outra amiga querida, que também ficou viúva há pouco tempo. Suas palavras foram simples e profundas: “Viva a vida, minha amiga.”

Duas mulheres que conheceram de perto a dor da perda me lembrando da importância de viver. Talvez porque quem já perdeu alguém compreenda, de uma maneira muito particular, que a vida não pode ser adiada.

Era uma quarta-feira. Um dia comum, no meio da semana, com compromissos, horários e responsabilidades. Ainda assim, procurei celebrar. Não necessariamente fazendo algo grandioso, mas tentando estar presente em cada pequena oportunidade que aquele dia me ofereceu.

Celebrar a possibilidade de poder nadar e de almoçar com os meus pais. Buscar os meus filhos. Trabalhar com aquilo que amo. Receber mensagens carinhosas. Abraçar amigos. Conversar, ainda que por alguns minutos. Fazer minha terapia. Treinar pela segunda vez num mesmo dia. Perceber que, por trás daquilo que muitas vezes chamamos de rotina, existe uma vida inteira acontecendo.

Costumamos imaginar que viver plenamente exige viagens, acontecimentos extraordinários ou grandes conquistas. Mas a maior parte da vida acontece nos dias comuns. Está no café da manhã, no caminho para o trabalho, na presença das pessoas que amamos, na saúde que nos permite levantar da cama e nos movimentos que o nosso corpo ainda é capaz de realizar.

Infelizmente, muitas vezes só percebemos o valor dessas pequenas coisas quando alguma delas nos é retirada.

Celebrar a vida também é cuidar da saúde. E saúde não significa apenas ausência de doença. Ela envolve vínculos, propósito, movimento, descanso, convivência e a capacidade de experimentar alegria. Nosso corpo sente a maneira como vivemos. O afeto, a presença e as boas relações ajudam a reduzir o estresse, fortalecem o equilíbrio emocional e dão sentido à nossa existência.

A felicidade não é um estado permanente, nem uma vida sem tristeza. Talvez ela seja uma busca diária, construída em pequenos instantes. É conseguir reconhecer o que ainda existe de bonito mesmo quando carregamos saudades, preocupações e dores. Comemorar um aniversário é agradecer pelo privilégio de continuar. É honrar aqueles que já não estão aqui vivendo com mais consciência o tempo que ainda temos. É compreender que envelhecer não representa apenas a passagem dos anos, mas a oportunidade de acumular experiências, vínculos e histórias.

Depois das mensagens que recebi, uma certeza permaneceu em mim: não precisamos esperar uma ocasião especial para celebrar. A vida já é a ocasião. Por isso, mesmo nos dias mais comuns, eu também escolho celebrar a vida. E desejo não apenas contar os anos, mas fazer com que cada um deles, principalmente cada dia, verdadeiramente conte. Muita saúde a todos.

 

Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil