O atletismo brasileiro voltou a escrever seu nome na história dos recordes mundiais. Nesta quinta-feira (27), Alison dos Santos, o Piu, estabeleceu a melhor marca da história dos 400 metros com barreiras ao vencer a etapa de Zurique da Diamond League, na Suíça.
O brasileiro cruzou a linha de chegada em impressionantes 45s80, superando o antigo recorde mundial, que pertencia ao norueguês Karsten Warholm, de 45s94, estabelecido nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. A marca de Alison foi 14 centésimos mais rápida.
O feito encerra um longo período sem que um atleta brasileiro estabelecesse um recorde mundial em uma prova do atletismo. A última marca havia sido registrada por Ronaldo da Costa, na maratona, em 1998, quando correu a Maratona de Berlim em 2h06min05s.
Antes de Alison, outros grandes nomes do atletismo brasileiro já haviam alcançado o topo do mundo.
A história começou com Adhemar Ferreira da Silva, no salto triplo. Em 1951, em São Paulo, o atleta se tornou o primeiro brasileiro a estabelecer um recorde mundial no atletismo ao saltar 16 metros.
Adhemar ainda melhoraria a própria marca outras vezes e chegou aos 16,56 metros, em 1955. O atleta também entrou para a história olímpica ao conquistar duas medalhas de ouro no salto triplo, nos Jogos de Helsinque, em 1952, e Melbourne, em 1956.
Outro brasileiro a alcançar o recorde mundial foi Nelson Prudêncio. Durante a final olímpica do salto triplo nos Jogos da Cidade do México, em 1968, ele saltou 17,27 metros e assumiu momentaneamente o recorde mundial.
A marca, porém, durou apenas alguns minutos. Na mesma competição, o soviético Viktor Saneyev saltou 17,39 metros e assumiu o recorde, enquanto Prudêncio ficou com a medalha de prata.
Ao longo da história, atletas brasileiros também se destacaram em outras provas e ajudaram a construir a tradição do país no atletismo internacional.
Agora, Alison dos Santos entra definitivamente nessa lista. Aos 26 anos, o atleta já era campeão mundial dos 400m com barreiras, em 2022, além de ter conquistado duas medalhas olímpicas de bronze na carreira. A World Athletics o coloca atualmente como número 1 do mundo na prova.
O recorde também representa uma evolução impressionante do próprio Alison. Antes da marca histórica em Zurique, seu recorde pessoal era de 46s29, registrado na conquista do título mundial de 2022.
Na prova desta quinta-feira, Alison conseguiu abrir vantagem sobre Warholm durante a corrida e terminou com uma marca que coloca seu nome entre os maiores feitos da história do atletismo brasileiro e mundial. Warholm terminou em segundo, com 46s69.
O novo recorde ainda está sujeito ao procedimento habitual de ratificação da World Athletics, mas a marca de 45s80 já aparece nos registros oficiais da entidade.
Mais do que uma vitória em uma etapa da Diamond League, o resultado representa a retomada de uma tradição: depois de décadas, o Brasil volta a ter um atleta dono do melhor tempo do mundo em uma prova do atletismo.