Ingredientes
Purê
Milanesa
O purê de batatas fala a língua universal do carinho: é o primeiro sabor sólido que os bebês experimentam e o conforto macio que abraça os mais velhos. Na mesa da família abastada ou no prato da casa mais simples, sua presença é a garantia de que haverá aconchego.
Muito antes de virar nuvem no prato, a batata foi um segredo que os colonizadores espanhóis descobriram bem guardado pelas montanhas imponentes dos Andes. Escondida debaixo da terra gelada e embalada pelos ventos da Cordilheira, essa joia botânica representava para os povos ancestrais um fruto do chão sagrado. Mas para os navegantes que cruzaram o oceano sem fim, foi um presente do Destino para salvar o Velho Mundo da fome.
Se de início foi consumida apenas assada, a sabedoria de velhos cozinheiros europeus revelou que era possível fazer muito mais com ela. A mágica aconteceu quando colocaram o tubérculo na água fervente e a casca rústica cedeu, exibindo um coração amolecido. Mãos sábias e curiosas perceberam que aquilo não era apenas um alimento para ser mastigado, mas uma tela em branco esperando por transformação. Com o ritmo suave de um garfo, uma colher de pau ou um amassador de ferro, nasceu o prodígio. O amido se desfez em poesia, acolhendo o leite, a manteiga e uma pitada de sal. Nascia o purê de batatas: a transformação do chão bruto na mais pura leveza.
Conforme cruzou fronteiras e rios, virou cidadão do mundo ocidental, costurando histórias ao redor do fogo. Na França, ganhou sofisticação ao se tornar aveludado. Em Portugal, misturou-se à couve e deu origem ao caldo verde, uma versão do ‘colcannon’ irlandês. Cruzando o Atlântico num curioso retorno às origens, assentou-se nos banquetes de celebração e nos almoços de domingo dos latinos.
E compôs um par perfeito que continua garantindo a existência de muitos restaurantes: ninguém se cansa da milanesa com purê, combinação que une o macio e o crocante. O contraste entre esses dois alimentos transforma a refeição em uma experiência tátil única. Por fora, a casca dourada do bife estala na primeira mordida, revelando uma camada firme e ritmada. Logo em seguida, o purê acaricia o paladar com sua textura suave e cremosa. Equilibram-se então perfeitamente crocância e maciez.
Para finalizar essa conversa, o purê é a prova de que a simplicidade, quando tocada pelo afeto, se transforma em arte. Cada colherada carrega a terra dos Andes, os mares dos navegantes, o calor das cozinhas de nossas avós e a doçura de estarmos juntos. Mais do que um acompanhamento, é uma nuvem quentinha feita para acalentar a alma e construir memórias onde o afeto fala alto.
Purê. Descasque as batatas e corte-as em pedaços de tamanhos similares. Coloque-as em uma panela, cubra com água fria e adicione uma colher de chá de sal. Leve ao fogo médio e cozinhe até que fiquem bem macias. Ao espetar um garfo, a batata deve desmanchar facilmente. Escorra toda a água imediatamente e coloque em espera por cinco minutos: este é o segredo do prato. Em seguida esprema as batatas ainda bem quentes utilizando espremedor tradicional ou passe por peneira fina. Volte a massa de batatas para a panela mantendo-a em fogo baixo. Adicione a manteiga (em temperatura ambiente) e misture vigorosamente com uma colher de pau ou batedor de arame até que ela se incorpore completamente. Em seguida, despeje o leite morno aos poucos, batendo continuamente. Esse movimento introduz ar na mistura, garantindo a textura aveludada e leve. Teste o sal e agregue a noz-moscada, se for sua escolha.
Milanesa. Tempere os filés de frango com sal, pimenta e limão. Deixe descansar por 10 minutos. Depois, empane. Passe o frango na farinha de trigo (para retirar o excesso de umidade), no ovo batido, na farinha de rosca, apertando bem para grudar. Frite em óleo quente e escorra em papel toalha. Outra opção é usar a Airfryer. Coloque os bifes no cesto sem sobrepor. Pincele com fio de azeite para que a casquinha doure e fique crocante. Asse a 180°C por 20 minutos. Vire os filés na metade do tempo para dourar por igual.