Para falar de longevidade, é preciso falar do músculo. Preservar massa e força muscular não é apenas uma questão estética: significa manter metabolismo, autonomia, equilíbrio e capacidade funcional ao longo dos anos. E para construir e preservar músculos precisamos de duas coisas fundamentais: estímulo através do exercício e matéria-prima através da alimentação.
A proteína fornece aminoácidos essenciais para manutenção e reparação dos tecidos e participa da formação de enzimas, hormônios e neurotransmissores. Com o envelhecimento, garantir um aporte proteico adequado torna-se ainda mais importante diante da tendência natural à perda de massa muscular, mas talvez estejamos vivendo uma época em que procuramos primeiro o suplemento e depois pensamos no alimento.
Carnes de boa qualidade são fontes de proteína completa, fornecendo todos os aminoácidos essenciais, além de ferro, vitamina B12, zinco e creatina. Sim, a creatina que encontramos nos suplementos está naturalmente presente principalmente nas carnes, nos queijos curados e nos peixes. Ela participa da produção rápida de energia celular e tem importância não apenas para o músculo, mas também para tecidos de alta demanda energética, como o cérebro.
E a gordura da carne não precisa ser automaticamente tratada como inimiga. As gorduras fazem parte das membranas celulares, participam da produção hormonal e auxiliam na absorção das vitaminas A, D, E e K. O que importa é a qualidade, a quantidade e, principalmente, o contexto da alimentação como um todo.
Também podemos variar nossas fontes: carnes bovinas, aves, peixes, ovos, laticínios e proteínas vegetais. Quanto maior a variedade de alimentos de boa qualidade, maior tende a ser a diversidade de nutrientes fornecida ao organismo. A verdade é que estamos carecendo de comida de verdade, naturais e não de ultraprocessados.
E podemos resgatar preparações simples. O caldo de ossos, por exemplo, pode fornecer gelatina, aminoácidos e minerais em quantidades variáveis, fácil de fazer e barato. A gelatina sem sabor também pode ser incorporada a preparações ou misturada a um suco de fruta natural. Gelatina e colágeno são fontes principalmente de glicina, prolina e hidroxiprolina, aminoácidos relacionados aos tecidos conjuntivos. Associar essas fontes a alimentos ricos em vitamina C também é interessante, pois ela participa da síntese de colágeno, facilitando sua absorção e utilização.
Mas atenção: os colágenos complementam a alimentação e não substituem proteínas completas para a manutenção muscular.
Suplementos têm seu lugar e podem ser extremamente úteis quando necessários. Mas talvez precisemos recuperar um princípio básico: antes de procurar nutrientes dentro de um pote, procure-os no prato. É bem mais saudável e muito mais barato. Treine seus músculos. Alimente-os. Varie seus alimentos. Porque longevidade não se constrói apenas na academia, ela também é construída, todos os dias, quando você senta para fazer as suas refeições. Escolha seus alimentos com consciência, vale a pena! Muita saúde a todos!
Liciana Rossi é especialista em coluna e treinamento corretivo. Pioneira do método ELDOA no Brasil