Quatro dias após o início da propaganda eleitoral, o aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, já registra 225 denúncias de possíveis irregularidades no Estado de São Paulo. Os dados foram consultados pelo Jornal de Jundiaí no painel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira (19) e apontam ocorrências em 67 municípios paulistas.
Em Jundiaí, são sete registros até o momento. O levantamento também identifica denúncias em municípios da macrorregião de Jundiaí, entre eles Cajamar, com cinco ocorrências, e Francisco Morato, com três. A denominação é usada aqui para delimitar a área de influência regional, já que os dois municípios não fazem parte da Região Metropolitana de Jundiaí. Administrativamente, Cajamar e Francisco Morato integram a Região Metropolitana de São Paulo.
O Pardal começou a receber denúncias para as Eleições 2026 em 16 de agosto, mesma data em que a propaganda eleitoral foi liberada. A ferramenta permite que eleitores comuniquem à Justiça Eleitoral suspeitas de irregularidades na propaganda de candidatos, partidos, federações e coligações.
Sobre o Pardal
Criado pela Justiça Eleitoral para facilitar a participação do eleitor na fiscalização da propaganda, o aplicativo é gratuito e pode ser utilizado em celulares e tablets. Para registrar uma ocorrência, o usuário precisa se identificar e fazer a autenticação por meio do e-Título ou da plataforma Gov.br. A denúncia pode ser acompanhada pelo próprio sistema e deve apresentar informações que permitam verificar o fato relatado.
Também é possível anexar fotos, vídeos, áudios ou indicar endereços eletrônicos relacionados à suposta irregularidade. Apesar da necessidade de identificação para acessar a ferramenta, a Justiça Eleitoral assegura o sigilo da identidade do denunciante.
O sistema não funciona como uma decisão automática sobre a denúncia. O registro feito pelo eleitor é uma comunicação de possível irregularidade e passa pela análise da Justiça Eleitoral. Por isso, uma ocorrência contabilizada no painel do Pardal não significa que a irregularidade tenha sido comprovada ou que o candidato ou partido citado tenha sido responsabilizado.
Em 2026, as regras também estabelecem fluxos específicos para o encaminhamento das denúncias. Dependendo do tipo de propaganda e da eleição, o registro pode ser direcionado ao cartório eleitoral responsável ou aos juízes auxiliares da Justiça Eleitoral. As autoridades podem determinar diligências, notificar os responsáveis e, quando constatada uma irregularidade, exigir a retirada, suspensão ou regularização da propaganda.
IMPULSIONAMENTO LIDERA
Entre os 225 registros feitos em São Paulo até esta quarta-feira, o impulsionamento aparece como o principal tipo de irregularidade apontado pelos usuários, com 93 denúncias. Na sequência está a propaganda na internet, com 54 registros.
O painel também contabiliza 19 denúncias relacionadas a bens particulares. Outras 11 ocorrências aparecem como “não informado”. Há ainda registros de propaganda antecipada (10), comércio ou showmício (9), banner, cartaz ou faixa (8), boca de urna (6), bem público (6), alto-falante ou amplificador de som (5), bem tombado (3) e divulgação de notícia sabidamente falsa (1).
A soma dos tipos de ocorrência corresponde às 225 denúncias contabilizadas no Estado no momento da consulta. Como o painel é atualizado continuamente, os números podem sofrer alterações ao longo do período eleitoral.
O cargo de deputado federal aparece como o mais denunciado entre os cargos informados no levantamento paulista. A concentração de registros nos primeiros dias de campanha mostra que o aplicativo já começou a ser utilizado pelos eleitores como canal de fiscalização, mas ainda não permite estabelecer uma tendência definitiva sobre quais irregularidades serão mais frequentes durante toda a eleição.