19 de agosto de 2026
OPINIÃO

Ônus dos juros, dívida e baixo crescimento


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Há uma grande crise em andamento, previsível na atividade econômica em nosso país, cujos efeitos, ainda imponderáveis, em sua extensão, mas que já estão afetando milhares de empresas que não conseguem pagar os impostos e, muitas já totalmente endividadas e inadimplentes frente aos seus credores.

Já está ocorrendo um “efeito multiplicador” da crise que vai se estendendo entre empresas devedoras e credoras, com o fechamento de milhares de micros e pequenas empresas e, outras sem condições de pagar os seus compromissos. Não somente elas, mas um significativo número de grandes empresas, entrando em recuperações judiciais e recuperações extrajudiciais.

Infelizmente é preocupante que essa realidade seja mais contagiante e provoque uma crise quase sem precedentes, com um elevado ônus para as empresas nacionais / consumidores e, mais tarde, aos empregos no País.

Todas as crises econômicas vividas pelo mundo tiveram diagnosticadas as suas causas. Nada aconteceu gratuitamente naturalmente, foram fatos econômicos ou guerras que as provocaram.

Aqui no Brasil, ela decorre de contínuos anos de gastos do Governo bem superiores às suas receitas tributárias, gerando déficits primários (sem os juros) no Orçamento Público, além de grande número de  políticas sociais, que resultaram no aumento da dívida interna, atualmente já representando 82% do PIB – Produto Interno Bruto e, que, pode chegar a 85 % em dezembro próximo.

Outro lado da moeda é que o Governo, para estimular o “consumo”, implementou políticas facilitadoras para o endividamento dos consumidores. Criamos, portanto, todos esses anos, um consumo artificial, através do aumento do endividamento público e endividamento das famílias. Diante desse cenário, para combater a inflação, o Banco Central manteve os juros básicos da economia num patamar elevado, que penaliza o “Estado” com juros estratosféricos e, também, os endividados, além, naturalmente, de inviabilizar os investimentos empresariais. O país anda de lado, com baixíssimo crescimento econômico e estímulo à concentração ainda maior da renda nacional, nas mãos dos detentores de aplicações financeiras.

2027 está se aproximando e o futuro Presidente da República terá grandes dificuldades para dirigir o país e enfrentar um baixo nível de atividade econômica, com prejuízos nas receitas tributárias e, por outro lado, com juros elevados sobre a dívida interna atual de R$ 10,8 trilhões, sobre as quais já se tem  um ônus de juros neste ano, de US$ 1,2 trilhões, que não são pagos e, portanto, se somam à dívida do setor público.

É fácil entender: se uma empresa tem, por anos, despesas superiores às suas receitas, ela irá se endividar e os juros se somarão às suas despesas e, em algum momento, ficarão inadimplentes. Se não alterarem  essa lógica dos números, poderá até desaparecer do mercado. Da mesma forma, se famílias gastarem mais do que suas rendas, sobrará a opção pelo endividamento oneroso e ficarão sem pagar as suas contas.

O setor público não é diferente e é muito mais complexo. Em 2028/2029 a nossa dívida interna, se não mudar as decisões econômicas, poderá chegar a 100% do PIB – Produto Interno Bruto, insustentável para um país emergente.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.