16 de agosto de 2026
CULTURA E ESPORTE

Mestre Dorta vive a capoeira há 30 anos

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Atualmente, Dorta é proprietário do Centro de Treinamento Dorta Capoeira (CTDC), academia especializada na modalidade em Jundiaí

Aos 30 anos de prática, Wesley de Oliveira Dorta, conhecido como Mestre Dorta, transformou a capoeira em profissão e em uma forma de vida. Desde 1996, quando teve os primeiros contatos com a modalidade, o jundiaiense construiu uma trajetória ligada ao ensino, à formação de novos praticantes e à preservação da cultura da capoeira.

Atualmente, Dorta é proprietário do Centro de Treinamento Dorta Capoeira (CTDC), academia especializada na modalidade em Jundiaí, com turmas para diferentes faixas etárias, a partir dos 2 anos. O trabalho também chega a escolas e projetos sociais da cidade, ampliando o acesso à prática. Ele ainda atua como Trainer da marca Track&Field, representando a capoeira em novos espaços.

O primeiro contato com a modalidade ocorreu quando Dorta tinha 17 anos. Junto de amigos da escola, começou a participar de rodas e a aprender movimentos de maneira informal. No ano seguinte, procurou uma academia e passou a conhecer outros aspectos da capoeira, como história, música, tradição e filosofia.

“Tudo começou de uma maneira muito natural. A gente se encontrava para fazer roda e cada um ensinava um movimento que sabia”, conta. Segundo ele, o contato com mestres mais antigos e suas histórias foi determinante para transformar a curiosidade inicial em uma paixão que permanece três décadas depois.

Hoje, a relação com a modalidade vai além dos treinos. “A capoeira faz parte da minha vida 24 horas por dia. Eu vivo a capoeira e também vivo dela”, afirma. Para o mestre, a prática influenciou sua maneira de pensar, de se relacionar com outras pessoas e de enxergar a própria trajetória.

Definir a capoeira apenas como esporte ou luta, porém, seria limitar a modalidade. Na visão de Dorta, ela reúne diferentes elementos em uma mesma roda. “Ela é luta, é jogo, é esporte, é dança, é música, é história e, acima de tudo, é cultura”, explica.

A prática também proporciona benefícios físicos e cognitivos. Força, resistência, flexibilidade, coordenação motora, equilíbrio, agilidade, ritmo e consciência corporal estão entre as capacidades desenvolvidas. Além disso, o capoeirista trabalha autoconfiança, criatividade, tomada de decisão e convivência.

Para Dorta, a força não é suficiente para conduzir um bom jogo. O praticante precisa observar o adversário, interpretar seus movimentos e tomar decisões rapidamente. “Às vezes, um capoeirista extremamente técnico e inteligente consegue conduzir um jogo sem precisar usar tanta força”, destaca.

A modalidade também transmite valores que ultrapassam os limites da roda. Respeito, disciplina, humildade, responsabilidade e perseverança são alguns dos ensinamentos apontados pelo mestre. A convivência entre diferentes gerações é outro elemento presente na prática.

A preservação da história brasileira também está entre as responsabilidades da capoeira. Dorta destaca a ligação da modalidade com a resistência da população negra e com elementos da música, oralidade, ancestralidade e tradição. Para ele, cada roda pode representar uma oportunidade de transmitir esse conhecimento às novas gerações.

Apesar dos avanços, ainda existem preconceitos em torno da modalidade. Historicamente marginalizada e associada a uma imagem negativa, a capoeira conquistou espaço, mas ainda precisa ser compreendida em toda a sua dimensão. “Quando você reduz a capoeira somente ao movimento, deixa de enxergar uma parte enorme do que ela representa”, afirma.

Em Jundiaí, o cenário é considerado positivo pelo mestre, que destaca a presença de grupos, professores, mestres, academias e projetos. A modalidade aparece em diferentes espaços e atende crianças, jovens e adultos, inclusive por meio de iniciativas sociais e educacionais.

No CTDC, as atividades começam a partir dos 2 anos. Para Dorta, a música, os instrumentos, os movimentos e os desafios fazem com que a capoeira desperte naturalmente o interesse das crianças. Ele defende ainda uma presença maior nas escolas, como forma de aproximar novos públicos.

Depois de três décadas, são muitas as experiências que marcaram a trajetória do mestre, entre viagens, rodas e encontros com outros profissionais. No entanto, ele aponta uma recompensa especial: acompanhar a evolução de quem começou a praticar capoeira sob sua orientação.

“Ver uma criança começando na capoeira, acompanhar sua evolução e perceber que aquilo pode fazer parte da história dela, assim como fez e continua fazendo parte da minha, é muito especial”, afirma. Para Dorta, mais importante do que um momento específico é perceber como a modalidade transformou sua própria vida e poder ajudar a levá-la adiante.