Com a propaganda eleitoral oficialmente permitida a partir de 16 de agosto, candidatos e partidos entram em uma nova etapa da disputa pelas eleições de 2026. Além da presença nas ruas, as redes sociais ocupam espaço cada vez maior na comunicação política, ampliando o alcance das mensagens e permitindo contato frequente com o eleitor.
Mas, em uma campanha cada vez mais digital, o tradicional contato olho no olho perdeu espaço? As entrevistas realizadas pela reportagem com representantes de quatro partidos de Jundiaí mostram que, entre as legendas ouvidas, a aposta está na combinação entre as duas formas de comunicação.
PDT, PSOL, PL e União Brasil apresentam estratégias diferentes, de acordo com suas estruturas e realidades, mas os dirigentes entrevistados destacam a importância de manter contato direto com a população.
Redes sociais ampliam o alcance
Coordenador regional do PL, Adilson Rosa afirma que a orientação da legenda é combinar a abordagem presencial com a comunicação digital. Entre as estratégias defendidas está o modelo “casa a casa”, com apresentação dos candidatos, suas experiências na vida pública, propostas e projetos.
Ao mesmo tempo, os candidatos são orientados a buscar criatividade para atuar nas redes sociais. Para Rosa, as duas ferramentas se complementam. O contato presencial permite uma relação mais próxima, enquanto a comunicação digital amplia consideravelmente o alcance da campanha. “O fato de serem da região possibilita uma relação mais qualificada, olho no olho, mas a interação via redes sociais amplia consideravelmente o alcance da campanha, sendo indispensável nesse modelo atual”, afirma.
O presidente do Republicanos de Jundiaí, Fernando Souza, afirma que o alcance das redes sociais é importante e a presença dos políticos ali é fundamental para a obtenção de votos. “Antigamente, eu achava que as redes sociais não traziam votos, mas trazem. Então, precisamos estar nas redes e também nas ruas, conversando com as pessoas, olhando os olhos e mostrando nosso projeto político.”
Proposta e presença
Presidente do PDT de Jundiaí, Gerson Sartori também considera as redes sociais uma ferramenta importante, mas afirma que o contato direto com a população continua sendo fundamental. “As redes sociais são um instrumento importante, mas o contato dia a dia com a população, o olho no olho, isso é muito importante”, diz.
Segundo Sartori, o PDT orienta seus candidatos por meio de cursos de formação e defende que a aproximação com o eleitor seja acompanhada de propostas. Para ele, caminhadas pelos bairros, visitas às casas e conversas com moradores continuam fazendo parte da construção de uma relação política. “A melhor forma de chegar no eleitor é com proposta”, afirma.
Para Gerson, internet e rua não precisam disputar espaço. “A soma de tudo isso é rede social e contato. Uma não exclui a outra”, afirma. Sartori considera que a comunicação digital tem grande alcance, mas defende que seja acompanhada da presença física. “É importante a rede social hoje, ela é muito vista, mas ela é importante desde que seja feita junto com a tradicional visita, com o tradicional cafezinho, com a tradicional conversa, onde as pessoas criam a relação”, afirma.
A combinação entre redes sociais e contato presencial também é defendida pelo presidente do União Brasil em Jundiaí, Adilson Pereira. Segundo ele, o partido orienta seus dois candidatos a manterem proximidade com a população, conhecerem as demandas e apresentarem propostas de maneira objetiva e responsável. “As redes sociais ganharam um espaço muito importante nas campanhas, mas não substituem o contato presencial”, afirma.
Pereira diz que o União Brasil conta com profissionais especializados para orientar os candidatos no uso das ferramentas digitais. A ideia é que cada candidatura tenha uma comunicação própria, mas alinhada aos princípios e valores da legenda. “Mais do que simplesmente produzir conteúdo, é preciso saber qual mensagem transmitir, para quem e de que maneira”, afirma.
Lideranças podem abrir portas
O papel das lideranças comunitárias também aparece nas entrevistas. Para Sartori, elas continuam tendo peso importante nas eleições, especialmente quando se trata da defesa do voto regionalizado e de candidatos ligados à região.
Rosa avalia que a importância das lideranças depende do perfil de cada candidatura. Para candidatos com trajetória política consolidada, elas podem ampliar a capilaridade e ajudar a levar as propostas a mais eleitores. Para nomes pouco conhecidos, podem contribuir para apresentar o candidato e impulsionar sua candidatura.
Pereira também considera importantes vereadores, prefeitos, lideranças comunitárias e outras pessoas com atuação local. Segundo ele, essas figuras conhecem as demandas das comunidades e podem facilitar a aproximação. Mas faz uma ressalva: a liderança pode ajudar no primeiro contato, mas não substitui o candidato na construção da relação com o eleitor. “A liderança pode abrir uma porta, mas é o candidato que precisa construir sua relação de confiança com o eleitor”, afirma.
No PSOL, a configuração para as eleições deste ano é diferente. Segundo Cintia Gomes, presidente do partido em Jundiaí, a legenda não indicou candidaturas da cidade por questões estruturais. A estratégia será trabalhar na cidade por nomes do partido que, segundo Cintia, apoiam a construção política do PSOL e também destinam recursos para o município.
Cintia também ressalta que o PSOL não dispõe da mesma estrutura de outros partidos. A diferença, segundo ela, interfere na organização e na capacidade de atuação da legenda durante a campanha.