29 de agosto de 2026
OPINIÃO

Codificação Espírita


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Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), que adotou pseudônimo de Allan Kardec, foi um professor, pedagogo, escritor e tradutor francês, que se interessou pelo fenômeno das mesas girantes. Esses eventos foram muito evidentes no século dezenove na Europa, em especial na França, e neles ocorriam manifestações físicas, como movimentação de objetos, ruídos e pancadas, sem explicação aparente. Ele então começou a fazer perguntas, que foram inicialmente respondidas com sons de pancadas, observou que estes fenômenos não eram ao acaso e concluiu que: “Se há uma resposta inteligente há também um princípio inteligente.” Não possuía nenhuma teoria preconcebida acerca da existência dos Espíritos, tendo esta concepção ocorrido somente após a observação e constatação dos fatos.

Kardec foi em busca de respostas para a natureza do mundo invisível, passou a investigar, questionar e buscou critérios lógicos e coerentes a partir de uma visão racional dos fatos. Como era um homem da ciência, utilizou o método experimental para analisar os fenômenos e as mensagens recebidas, sendo que esta metodologia se fundamenta na observação, comparação, análise sistemática e conclusão. Elaborou um sistema de trabalho que se baseou em três fatores. Postura científica: ele tratou as mesas girantes e as comunicações dos desencarnados não como milagres, mas como fatos a serem investigados. Uso da razão: aplicou o bom senso e a lógica para verificar os ensinamentos espirituais, rejeitando o que era absurdo ou contrário às leis da natureza e da ciência. Controle universal do ensinamento dos Espíritos: comparava as respostas dadas pelos mortos através de médiuns de diferentes partes do mundo e desconhecidos entre si; se a mesma informação se repetia em diversas fontes de forma semelhante, ele a considerava como sendo verdadeira. Assim, as opiniões concordantes dos Espíritos analisadas pela lógica e examinadas pelo método científico, constituem a força da Doutrina Espírita.

O Espiritismo é uma ciência de observação e não um produto da imaginação de alguém e é por isso que Allan Kardec não se julgava o seu “inventor”, mas apenas o seu codificador. Pelo conhecimento recebido, ele observou que chegara a hora de uma revolução moral inevitável, grande o suficiente para transformar o mundo e, de forma brilhante, analisou, comparou, organizou e compilou todas as informações fornecidas pelos Espíritos. Ele ordenou os princípios em tópicos sobre filosofia, ciência e moral Cristã e, desse importantíssimo trabalho, resultaram as cinco obras básicas da Doutrina Espírita, também chamado de Pentateuco Espírita.

Eduardo Battel é médico urologista, expositor Espírita, Presidente do Centro Espírita Nova Luz e Secretário da União das Sociedades Espíritas (USE) Intermunicipal Jundiaí