24 de agosto de 2026
OPINIÃO

100 anos Prof. Eduardo de Oliveira


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“Ergue a tocha no alto da glória / Quem, herói, nos combates, se fez/ Pois que as páginas da História / São galardões aos negros de altivez”

Estes versos vibrantes não são apenas poesia. São o pulsar da consciência racial de um país que insiste em apagar seus maiores heróis.

Ontem, dia 6/8/2.026, o Brasil celebrou em silêncio o centenário do nascimento do professor Eduardo Oliveira, (poeta, jurista, líder comunitário, humanista, conferencista, palestrante), que dedicou cada dia da sua existência a empunhar a tocha da dignidade negra contra abismos da discriminação. Em 1963, rompeu as intrincadas estruturas da política paulistana ao consagrar-se primeiro vereador negro da capital de São Paulo. Sua missão extrapolou as tribunas da Câmara, e no ano de 1978, ao lado inesquecível Abdias Nascimento e de outras vozes corajosas, ajudou a fundar o Movimento Negro Unificado – MNU em plenos degraus do Teatro Municipal de São Paulo, em ato heroico de resistência contra regime militar e contra o mito da democracia racial.

Exemplo de luta, respeito e combate contra racismo, discriminação, intolerância em sentido amplo nos termos dos relatórios da Conferência Mundial de Durban – África do Sul  no ano de 2001, da qual participou efetiva e exemplarmente, cujos ecos ressoavam nas diretrizes globais.

Em vista de seu empenho e desempenho participou também, no ano de 1984 da construção do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e, no ano de 1995 fundou o Congresso Nacional Afro-brasileiro -CNAB. Autor do Hino a Negritude, oficializado nacionalmente por meio da Lei n. 12.981, de 28 de maio de 2014.

Celebrar os 100 anos do professor Eduardo é mais do que um ato de saudosismo, é um dever moral e uma convocação. Em tempos em que os direitos fundamentais e o valor das ações afirmativas ainda são questionadas em balcões institucionais, lembrar a trajetória do poeta combatente renova as forças e estimula persistir na luta pela igualdade.

Eduardo Oliveira partiu, mas seu legado permanece inabalável e que sua memória continue a acender a chama da justiça nos corações dos que não se curvam. Que o Brasil aprenda a erguer a tocha no alto da Glória e ler a sua própria história pelos olhos daqueles que fizeram heróis dos combates da vida.

Importante lembrar que, a partir do também empenho e desempenho da Comunidade, conseguimos instituir no Município o Hino à Negritude, por autoria da então vereadora Ana Tonelli e promulgada pelo prefeito Miguel Haddad, nos termos da Lei n. 5.501, de 21/8/2000, período em que eu estava presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra, lembrando que havia sido instituído no vizinho município de Valinhos no ano de 1995.

Exemplo a ser seguido é a recente lei Municipal Ibaté(SP) – Lei n. 3.717, de 31/7/25, tornando obrigatório a execução do Hino Nacional, Oficial do Município e do Hino à Negritude.

Eginaldo Honorio é Advogado, Comendador, ... atual presidente da Comissão da Igualdade Racial OAB/Jundiaí