24 de agosto de 2026
OPINIÃO

Sem querer querendo


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Exposição em Jundiaí lembra o universo de Chaves e Chapolin Colorado, personagens de grande sucesso na televisão brasileira. Nascidos no México, eles chegaram ao Brasil em agosto de 1984, há remotos 46 anos. A exposição reúne cenários, peças de vestuário, fotos, roteiros datilografados e textos explicativos a respeito desses icônicos personagens da cultura pop. O espectador confere os figurinos de seu Madruga, do professor Girafales, de dona Florinda, da Chiquinha, do Chaves... A marreta biônica do Chapolin Colorado está lá, bem como sua pílula encolhedora, além dos uniformes do super-herói atrapalhado, com as mudanças ocorridas em seu desenho ao longo do tempo. Chamado para ajudar quem está em apuros, o herói muitas vezes mais atrapalha do que colabora. Suas frases memoráveis são lembradas: “Não contavam com a minha astúcia”; “sigam-me os bons”, “palma, palma, não priemos cânico” (quando quer dizer “calma, calma, não criemos pânico”).

Na mostra em cartaz, a famosa vila do Chaves foi recriada, exibindo as casas, portas, os tanques de roupa, a escadaria e o famoso piso com mosaico. Aqui vale registrar uma curiosidade: o programa estreou na TV mexicana em 1972 e esperou três anos para ter um cenário fixo. A cada apresentação, tudo era desmontado para a gravação de outros programas. Somente em 1975, com o sucesso estrondoso, a vila ganhou seu cenário definitivo. O espectador pode ser fotografado no famoso barril em que o Chaves morava, assim como na sala de estar da casa de Dona Florinda. A mostra presta justa homenagem aos dubladores brasileiros, responsáveis por parte do sucesso do seriado em nosso país. Lembra, por exemplo, de Marcelo Gastaldi (que fazia a voz do Chaves), dono da Maga Produções Artísticas, empresa de dublagens, e de Carlos Seidl (voz de seu Madruga), além de Marta Volpiani (dona Florinda), Potiguara Lopes (o professor Girafales) e de outros. Potiguara era também responsável pela tradução dos textos e direção de dublagem.    

O criador de Chaves e Chapolim Colorado, Roberto Gómez Bolaños, foi um artista multitalentoso. Nascido na Cidade do México, em 1929, ele foi roteirista, ator, produtor, músico e poeta. Bolaños começou na década de 1940, redigindo anúncios publicitários, jingles e esquetes cômicos. Num primeiro momento, escrevia para programas de rádio e depois migrou para a televisão. Passou a redigir para a dupla de comediantes Viruta e Capulim. Os programas eram feitos ao vivo. Quando um ator coadjuvante faltou, Roberto o substituiu, por ser o único que sabia as falas. Dessa estreia improvisada nasceu o ator. Ele ganhou programa próprio, chamado “Chespirito”, na década de 1960. O nome alude a “Pequeno Shakespeare”, apelido de Bolaños, escritor com enorme capacidade de trabalho, redator dos quadros do Chaves e do Chapolin por duas décadas, entre os anos de 1970 e 1990.     

A exposição está no Maxi Shopping, e foi prorrogada até o próximo domingo, dia 9 de agosto.

Fernando Bandini é professor de Literatura