Casos confirmados de sarampo em 2026 nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo, no ABC, e em Guarulhos, na região metropolitana, levaram o Ministério da Saúde a recomendar a vacinação contra a doença para toda a população de 6 meses a 59 anos nas três cidades. Essa orientação é válida mesmo para quem está imunizado.
A recomendação será aplicada durante a Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias, de 3 de agosto a 1º de setembro.
Bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias das três cidades devem receber a dose zero da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Essa dose zero não substitui as doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação. A criança deve seguir o esquema vacinal de rotina (descrito abaixo).
Em novembro de 2024, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) recertificou o Brasil pela eliminação de sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita. Foi a segunda vez que o país recebeu o certificado pela erradicação da doença. O primeiro, entregue em 2016, foi perdido em 2018 após novos surtos.
O sarampo é uma doença imunoprevenível de transmissão respiratória causada por um vírus. A pessoa pode apresentar febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantemas), conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.
De pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar.
Não existe. São tratados os sintomas para reduzir o desconforto.
Pneumonia, infecção no ouvido, encefalite e óbito.
As crianças menores de cinco anos (em especial, abaixo de um ano) e pessoas imunodeprimidas.
Sim, com outras doenças exantemáticas, como a dengue (que também causa manchas vermelhas chamadas petéquias) e a rubéola, que apresenta sinais e sintomas muito parecidos. Conjuntivite, febre, exantema e mal-estar, especialmente em crianças, são indicativos que ajudam a suspeitar do sarampo.
O vírus do sarampo possui altíssimo potencial de transmissibilidade e pode permanecer suspenso no ar por até duas horas. Isso significa que mesmo após uma pessoa infectada deixar um ambiente, o vírus continua presente e pode contaminar outras pessoas.
A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e até quatro dias após o aparecimento das manchas. Os sintomas costumam surgir de quatro a seis dias após a infecção, intervalo chamado de período de transmissibilidade.
Sim, é segura e eficaz. É uma das vacinas com menos restrições de uso.
Está disponível gratuitamente em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) nos 645 municípios do estado de São Paulo.
É contraindicada a imunossuprimidos e bebês menores de seis meses. Pessoas com alergia a algum componente da vacina ou que já tiveram reação adversa devem buscar orientação na unidade de saúde.
Gestantes não devem tomar a vacina, pois ela é composta por vírus vivo atenuado, o que representa um risco durante a gravidez.
Sim, quem teve sarampo desenvolve uma imunidade de memória suficiente para se proteger pelo resto da vida. No entanto, quem não sabe se teve a doença ou não tem comprovação de vacinação é orientado a se vacinar.
A orientação atual para os três municípios - São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo - é que todos entre 6 meses e 59 anos devem tomar a vacina, mesmo quem está imunizado.
Quando uma parcela significativa da população não está vacinada, o vírus encontra mais facilidade para se estabelecer e circular na comunidade. A hesitação vacinal e as fake news contribuem para esse cenário. Pessoas vacinadas que entram em contato com o vírus têm menor chance de desenvolver quadros graves e de transmiti-lo a outras pessoas, o que reduz a sua circulação. Por isso, manter alta cobertura vacinal é essencial para evitar o retorno de doenças já eliminadas. No caso do sarampo, a meta é imunizar pelo menos 95% do público-alvo.
Com os casos em 2026, o Brasil pode perder o certificado de país livre do sarampo? Por enquanto, a certificação está mantida, mas poderá ser perdida novamente após um ano de transmissão sustentada da doença.
- Em São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos
Dose zero: crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.
Qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal (a partir de 3 de agosto).
- Rotina - demais municípios brasileiros
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela).
Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.
Fonte: Tatiana Lang, diretora do CVE-SP (Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo).