24 de agosto de 2026
OPINIÃO

Não sabemos votar


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O voto no Brasil é baseado nas paixões. Ou se vota por amor ao candidato X ou não se vota nesse candidato por ódio. E tudo isso ficou ainda mais latente nas últimas três eleições para presidente.

O fato é que sentimentos são subjetivos. Como você pode chegar para alguém e dizer: "O que você sente está errado!". Não dá. É muito pessoal. Paixões são tão subjetivas que você não consegue nem quantificar o que você sente por uma pessoa: "Você me ama quanto?"
Quando fazemos escolhas baseadas em sentimentos é muito complicado, pois você sempre estará enviesado pelo que sente. Basicamente, você fica cego pelo seu amor ou ódio e toda sua escolha será subjetiva e nada objetiva. A chance de você fazer uma bobagem é alta.

Sabendo disso, por que ainda escolhemos nossos candidatos aos cargos públicos de maior importância no país baseado no amor ou no ódio? Poderia versar aqui sobre os milhares de fatores que nos trouxeram até essa condição. Mas ficarei em um só: Nunca fomos ensinados a escolher racionalmente.

Não estou dizendo que o sentimento é ruim. Claro que não. Sentir é muito importante. Mas as paixões devem ficar no campo das paixões. E política, meu amigo, não faz parte disso.


Enquanto a gente tratar política com passionalidade, sempre escolheremos errado. Sempre escolheremos aquele que amamos, mesmo que quem você ame não seja a melhor opção. Você sabe que existem candidatos melhores e mais preparados, mas você odeia todos os outros que não seja o seu.

Mas eu te compreendo. Você não tem culpa. Você nunca foi convidado a pensar diferente. Você foi programado para sentir. Por isso que investe-se tanto em propagandas eleitorais cinematográficas. Para criar em você um bom sentimento no candidato (ou mal sentimento no concorrente) e você escolher baseado nisso.

E para piorar, vi com muita preocupação o lançamento das candidaturas dos presidenciáveis na semana que passou. Todas elas cheias de discursos inflamados de - adivinhe - paixão. E ao que tudo indica esse será, mais uma vez, o tom das eleições de 2026. 

Disse, no título do texto, que não sabemos votar. E há um jeito de você provar que estou errado: não continuar baseando suas escolhas em suas paixões, estudar os programas dos candidatos e ser crítico o bastante para questionar o que eles podem produzir no campo da realidade. Tenho para mim que nenhuma bravata política resiste a um questionamento racional. 

Na eterna disputa entre coração e cérebro, opte, na política, por menos sangue a mais massa cinzenta. Conhecimento é conquista.

Felipe Schadt é jornalista, professor e cientista da comunicação