Vi, pelas redes sociais, um padre, há meses, distribuindo escapulários. A uma pessoa conhecida disse que fizera uma promessa e colocara como propósito a distribuição de cem mil. No início, observei essa partilha em espaços de oração. De repente se estendeu a lugares diversos, como em shows artísticos, praias em meio a barracas, cerveja, caipirinha, próprios do lugar de lazer, acrescentando filmagem e sem testemunhar a graça conseguida.
Incomodei-me porque tenho grande respeito pela espiritualidade carmelita, incluindo o escapulário. O primeiro recebi durante a Missa na capela do Carmelo São José, aos 15 anos, do saudoso Padre Eugênio Inverardi, diretor espiritual do Movimento Oásis, do qual participava. As integrantes possuíam, também, o acompanhamento da inesquecível Madre-Mestre Maria Inês, no mundo Odete Trippe. O uso do escapulário é para mim, apesar de minhas misérias, é um convite a buscar a santidade que Deus me pede.
Sobre a verdadeira origem do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo não é uma nova veste, ela transformou uma simples veste dos carmelitas em um sinal de proteção e consagração.
Muito antes da aparição de Nossa Senhora do Carmo, os carmelitas já usavam um longo escapulário marrom como parte do hábito religioso. No século XIII, a Ordem do Carmo enfrentava uma grave crise na Europa e corria o risco de desaparecer. São Simão Stock rezava pedindo a Nossa Senhora um sinal de proteção para seus filhos espirituais. Na madrugada de 16 de julho de 1251, a Virgem Maria apareceu a São Simão Stock cercada de anjos. Ela segurava em suas mãos o escapulário carmelita original, o grande escapulário do hábito. Nossa Senhora lhe disse: “Recebe, filho diletíssimo, o Escapulário da tua Ordem…” Maria não trouxe algo estranho. Ela tomou a veste deles e a elevou a um sinal de bênção e proteção.
Com o passar do tempo, muitos fieis desejaram participar da espiritualidade do Carmo e, como não era possível usar o grande escapulário do hábito religioso, surgiu uma versão menor, formada por dois pequenos pedaços de tecido unidos por cordões.
O escapulário não é um amuleto. É um sinal de consagração, de confiança filial a Maria e um convite diário à conversão. É um memorial visível de amizade com Maria e de que desejamos viver com Jesus.
O escapulário pode ser recebido por qualquer pessoa batizada, no entanto, a primeira vez que você o recebe exige obrigatoriamente a imposição oficial feita por um padre ou diácono, acompanhada de uma oração específica. Recomenda-se preparação espiritual (confissão recente e participar da Santa Missa).
Se for uma estratégia para se tornar mais conhecido e trampolim para votos, considero um sacrilégio. Fumaça de Satanás.
Há poucos dias, o referido padre anunciou que será candidato. Que pena! Padre desertor do chamado de Deus. Minha solidariedade às Carmelitas e aos Carmelitas, por terem transformado o Escapulário em “panfleto” político.
Como escreveu o Padre Amauri Thomazzi da Arquidiocese de Campinas: “…Quando alguém deixa o sacerdócio para buscar outro tipo de representação pública, surge inevitavelmente uma pergunta: afinal, qual era a missão que verdadeiramente ocupava o centro de sua vida…”
Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista