31 de agosto de 2026
OPINIÃO

Carência crônica


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A lucidez que restou ao Brasil está rouca de anunciar que todos os problemas nacionais – e são infinitos! – poderiam ser solucionados se tivéssemos uma educação de qualidade. Mas a sociedade como um todo não ouve essa pregação. Ouvisse e já teria tomado as rédeas do sistema escolar tupiniquim.

Temos inúmeras universidades, milhares de cursos de Direito, mas o ensino fundamental tateia. Desapareceu o Curso Normal, que formava alfabetizadoras. Hoje, os alunos chegam ao Ensino Médio e às Faculdades sem saber ler, sem gostar de ler, sem saber escrever e, mesmo assim, recebem diplomas universitários.

Enquanto a China tem trezentos milhões a estudar engenharia, outros tantos a pesquisar e a se aprimorar em física, biologia, química, botânica e outras áreas das quais somos carentes, nós continuamos a multiplicar as carreiras jurídicas. As estruturas do Sistema Justiça já são insustentáveis. Temos o Judiciário mais dispendioso do planeta. Será que é por isso que temos soluções mágicas de conflito e aqui reine a mais absoluta harmonia?

O desinteresse pelo Ensino Médio é uma realidade incontestável. Salas de aula ociosas, mas os barzinhos das imediações, congestionados. A educação brasileira se esqueceu de que transmitir informações é algo ultrapassado. Porque a informação, o tesouro contemporâneo, está disponível e acessível em qualquer bugiganga eletrônica. Celulares, smartphones, notebooks, computadores pessoais, tudo isso permite a quem tiver curiosidade penetrar nas maiores bibliotecas e centros de estudo mundiais. Com uma diferença: a informação é atualíssima, atraente, musical e com imagens em movimento.

A IA – Inteligência Artificial transformou o mundo e nos transformou. E não estamos sabendo usar essa tecnologia para nos requalificar, para aprender outras coisas, para reinventar funções, para encontrar respostas para inúmeros problemas que ainda nos atormentam.

Com tudo isso, está a conviver uma falácia perigosa. Jovens se encantam com o relato de alguns CEOs das gigantescas bigtechs que hoje mandam no mundo. Vários deles não concluíram cursos convencionais. Eram talentos mágicos, descobriram a pólvora digital e se tornaram bilionários.

Mas quantos, dentre os oito bilhões de habitantes deste sofrido planeta, conseguiram tal façanha?

É óbvio que obter um diploma em escola paga que vende esse documento em prestações mensais, de pouco adianta. Mas quem se preocupar de fato com sua formação, for incessantemente curioso, estar à frente do professor, questionar, exigir, mostrar interesse, estará destinado a vencer. Quem faz a escola é o aluno. Não é a escola que garante sucesso. Há muitos privilegiados que se matriculam nos “nichos de excelência” e que são profissionais medíocres. Outros, que só podem frequentar o que sobra, se tiverem realmente força e vontade, vencerão.

Há exceções dos que se “encantam” com as redes sociais, tornam-se influencers e, ainda assim, não abandonam a vida acadêmica. Um deles é “Gil do Vigor”, que está a ultimar o seu doutorado na Califórnia. Ele tem uma lição muito precisa sobre educação: “A educação sempre vai ser a solução, sempre vai ser a saída e sempre vai ser a chave secreta, porque vai abrir todas as portas”.

Pensem nisso e ajam de acordo com esse recado. Ele é um vencedor.

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo