Mais de R$ 1 bilhão em emendas parlamentares teriam deixado de chegar a Jundiaí nos últimos 12 anos devido à falta de representantes da região na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. A avaliação é do presidente da Câmara Municipal, Edicarlos Vieira, que defendeu a eleição de parlamentares da Região Metropolitana de Jundiaí, (RMJ) como estratégia para ampliar investimentos em saúde, mobilidade urbana e infraestrutura.
A declaração foi feita durante entrevista ao Podcast JJ para a editora-chefe Ariadne Gattolini. Pré-candidato a deputado estadual, Edicarlos afirmou que a ausência de representantes da região reduz a capacidade de conquistar recursos junto aos governos estadual e federal e compromete o atendimento de demandas consideradas prioritárias pelos municípios.
Segundo o presidente da Câmara, essa preocupação motivou a aproximação entre os presidentes dos Legislativos das sete cidades da Região Metropolitana de Jundiaí e de Itatiba. A articulação deu origem a um parlamento regional voltado à discussão de problemas comuns e à defesa de projetos estratégicos para os municípios. "Se já é difícil conquistar avanços quando todos trabalham unidos, imagine quando cada cidade atua isoladamente", resumiu durante a entrevista.
Região Metropolitana
Edicarlos destacou que a RMJ possui um Produto Interno Bruto estimado em R$ 136 bilhões e figura entre as regiões mais importantes economicamente no Estado de São Paulo. Apesar disso, afirma que boa parte dos recursos arrecadados em impostos permanece com os governos estadual e federal, retornando em volume insuficiente para atender às necessidades locais.
Na avaliação do vereador, a principal consequência da falta de deputados da região é a dificuldade para obter emendas parlamentares, consideradas fundamentais para financiar investimentos públicos. Ele estima que apenas Jundiaí tenha deixado de receber mais de R$ 1 bilhão em recursos ao longo dos últimos 12 anos.
A saúde foi um dos temas centrais da entrevista. Edicarlos lembrou que o Hospital São Vicente atende pacientes de diversos municípios da região e afirmou que o financiamento do Sistema Único de Saúde ainda impõe forte pressão sobre os cofres municipais. Também citou o novo hospital de Várzea Paulista, que contará com aporte estadual durante o primeiro ano de funcionamento. Segundo ele, a manutenção da unidade dependerá da capacidade de buscar novos recursos junto ao Governo do Estado.
Outro assunto abordado foi a mobilidade regional. O presidente da Câmara criticou a inexistência de uma concessão específica para o transporte metropolitano da RMJ, situação que, segundo ele, dificulta a renovação da frota e a melhoria dos serviços prestados à população.
Durante a entrevista, afirmou que há trabalhadores que passam cerca de 92 dias por ano dentro de ônibus nos deslocamentos entre os municípios da região. Também defendeu investimentos em obras viárias, como a terceira faixa da rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, e maior atuação política para acelerar projetos estaduais voltados à mobilidade.
Edicarlos revelou ainda que entregou ao governador Tarcísio de Freitas um documento contendo dez prioridades definidas pelo parlamento regional. Para ele, deputados eleitos por outras regiões tendem a concentrar esforços em suas bases eleitorais, reforçando a necessidade de ampliar a representação política da RMJ.
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