22 de agosto de 2026
OPINIÃO

Gargalos logísticos: mapear é o primeiro passo


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O estudo Logística dos Transportes 2024, lançado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) neste último dia 13, dentro da série Redes e Fluxos do Território, traz dados inéditos e de grande relevância ao cruzar os fluxos de todos os corredores de carga do país. Tecnicamente, este relatório atua como um instrumento de diagnóstico estrutural da malha nacional. Já para as empresas, este mapeamento funciona como uma ferramenta de importância prática na gestão de riscos e custos, essencial para que lideranças e gestores planejem suas operações e tomem decisões fundamentadas sobre a cadeia de suprimentos no dia a dia. A pesquisa aponta, por exemplo, que São Paulo surge como o único estado a exibir uma infraestrutura logística onde as cidades do interior ligam-se à capital por uma rede densa que combina rodovias duplicadas, malha ferroviária e hidrovias.

A utilidade dessa radiografia está em mensurar a eficiência atual do escoamento e identificar os gargalos logísticos existentes. Por outro lado, também é uma base de dados que deve nortear tecnicamente prefeitos, governadores e o governo federal na formulação de políticas de infraestrutura duradouras. O mapa ajuda a balizar os investimentos públicos e o desenho de novas parcerias público-privadas (PPPs).

O mercado externo mostra que a precisão dessa estratégia integrada é um grande divisor de águas no cenário global. Em países de dimensões continentais ou com forte dinamismo, como os Estados Unidos e nações da Europa Ocidental, o mapeamento logístico tem servido de bússola para os aportes estatais e para a concessão de rodovias. Cruzar dados permite prever a saturação de uma rota muito antes de o caminhão ir para a rua. Nessas regiões, a cooperação entre governos e empresas antecipa as demandas de consumo, garantindo que trens, navios e caminhões andem inequivocamente em sintonia. É esse cenário previsível que atrai indústrias e investimentos nacionais e internacionais de longo prazo.

Por aqui, a realidade exposta pelos mapas ainda lembra que precisamos superar velhos nós. A dependência excessiva das rodovias, o asfalto ruim e entraves burocráticos geram custos invisíveis que minam a força da atividade industrial e pesam direto no bolso do brasileiro. O chamado "Custo Brasil" se transforma em frete caro e desperdício, encarecendo a mercadoria que chega ao supermercado. Se queremos uma economia forte e equilibrada, esse esforço precisa virar o motor de obras conjuntas. Este relatório detalhado pode ser acessado gratuitamente por todos no portal oficial do IBGE. A partir disso, o caminho para modernizar as vias e dar fôlego para a nossa indústria competir lá fora pode ser traçado.

Francesconi Júnior é 1⁰ vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp