18 de julho de 2026
EM ANO ELEITORAL

Secretário de Segurança rejeita "solução mágica" ao crime

Por Diná de Melo |
| Tempo de leitura: 3 min
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Rigo diz que uma política de segurança eficaz depende de diagnóstico territorial

Enquanto candidatos de todos os espectros políticos prometem fórmulas rápidas para reduzir a criminalidade na corrida eleitoral de outubro, o secretário municipal de Segurança Pública de Jundiaí, Guilherme Rigo, faz coro contrário: para ele, segurança pública não se resolve com discurso de campanha. A avaliação foi dada em entrevista ao Podcast JJ, à editora-chefe Ariadne Gattolini.

"Todo mundo é especialista em segurança pública, todo mundo sabe qual solução deve ser aplicada", ironizou Rigo, ao comentar promessas eleitorais de reforço policial genérico. Para o secretário, o enfrentamento ao crime exige "um conjunto de ações baseadas em critérios empíricos, em fatos" — não uma "virada de chave" isolada, como aumentar o efetivo ou comprar mais armamento.

Enquanto a segurança pública se firma como tema central da campanha de outubro, a gestão do prefeito Gustavo Martinelli avança em ações na área. Segundo Rigo, a Guarda Municipal vai chamar 50 novos guardas — cinco vezes mais do que previa o edital original de 2023 — elevando o efetivo para cerca de 500 agentes, o maior da história da corporação. Os novos guardas passarão por 800 horas de formação, ao longo de cinco meses, no CIES.

A gestão também renovou o fardamento — uniformes Invictus, mesma marca usada pela Polícia Rodoviária Federal — e recebeu uma viatura semi-blindada Trailblazer, destinada por emenda parlamentar do deputado federal Delegado da Cunha (PL).

No campo tecnológico, a cidade aderiu ao reconhecimento facial em outubro de 2025, integrado ao programa estadual Muralha Paulista, e expande sua rede com 15 novas torres de vigilância em bairros comerciais. A cidade também conta com mais de 450 pontos de leitura de placas nas divisas de bairros e entradas do município. Rigo credita à tecnologia mais de 600 prisões por mandado e 1.400 em flagrante só no ano passado — mais de 2 mil prisões ao todo — além de queda nos crimes de furto e roubo de veículos.
Para mapear o crime pela cidade, a gestão adotou o que Rigo chama de teoria dos círculos concêntricos: o centro e seu entorno concentram majoritariamente furtos, enquanto os crimes mais violentos — incluindo tortura psicológica contra famílias — se concentram nas áreas rurais, onde criminosos estudam a rotina das propriedades antes de agir. Para enfrentar esse padrão, a Guarda Municipal criou a Ronda Rural, com equipes permanentes nessas regiões.

Apesar dos números, o secretário reconhece que o perfil da criminalidade mudou: crimes patrimoniais caem, enquanto crescem os golpes virtuais e a violência doméstica. Rigo citou o programa Guardiã Maria da Penha, que acompanha mais de 200 mulheres sob medida protetiva com o Ministério Público estadual, e alertou para uma tendência recente: agressões que atingem também crianças e adolescentes, não só mulheres.

Sobre o tráfico de drogas, Rigo evitou soluções simplistas. Para ele, o combate a pontos de venda locais é necessário, mas insuficiente sem ação federal contra a entrada da droga no país — Jundiaí, lembrou, funciona como polo logístico regional, o que também atrai quadrilhas de outros estados especializadas em furtos de mercadoria. O secretário mencionou o recrutamento de crianças por facções — citou o caso de um menino de 8 anos apreendido no comércio de drogas — e recorreu à sociologia, evocando a tese clássica de Émile Durkheim de que o crime é um fenômeno social presente em toda sociedade, ainda que isso não deva ser lido como resignação diante dele.

A entrevista reforça um ponto que deve acompanhar o debate eleitoral local: para o próprio gestor da pasta, uma política de segurança eficaz depende de diagnóstico territorial, integração entre forças e um Estado mais rígido na aplicação de penas, mais do que de uma medida isolada.