09 de agosto de 2026
OPINIÃO

Em defesa do Parque do Colégio


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A medida de suspensão de aprovações de novos projetos em Jundiaí parece que tem efeito, mas com direções bem definidas. Muita coisa fica fora e livre, como por exemplo demolições que podem ser feitas e alvarás podem ser emitidos. Os arquitetos que fizeram planos diretores em Jundiaí e construíram o tecido urbano de bairros, têm um lugar que merece a atenção.

O olhar sobre as casas nos permite ter uma imersão no tempo e na estética da arquitetura proporcionada por nossos arquitetos. Essas casas remanescentes dos nossos arquitetos que fizeram a história de Jundiaí: Vasco, Panizza, Rubens Gaspari, Igar, Araken,  e outros grandes arquitetos com  casas das quais não sei a autoria, mas são documentos de como foi viver nesse tempo. Eu mesmo fiz um icônico projeto da casa de João Toledo e Ana, que permanece com suas características de ousadia do proprietário e do arquiteto com a piscina na sala. 

Esse conjunto que vinha sendo respeitado, mesmo mudando as funções de moradia, precisarão ser reavaliados pelo Compac porque tem sim importância histórica para a cidade como exemplo de economia, de como viveu a sociedade nesse tempo, das arquiteturas que fizeram um conjunto modernista exemplar no século XX, e a coragem pioneiramente de preservar esse capital cultural.

Os novos usos dessas casas quase sempre têm como o programa de reforma o aproveitamento do edifício com seu projeto original, detalhes de acabamento e construtivos, itens decorativos, materiais de época e jardins valorizados.

Quem vai ao Balardin, com seu projeto interessante, tem uma experiência não só gastronômica, mas do ambiente que demonstra aquilo foi um bairro residencial que se modificou para atender ao uso comercial preservando as construções e que pouco a pouco vai sendo demolido. O Greco fez seu lugar preservando e aproveitando a arquitetura, preservando o edifício e propiciando uma experiência que vai além da gastronomia e ocupa um projeto de minha autoria da década de 90, mais recente, mas pelo menos bem usado.

A recente morte do Dirceu Cardoso que defendeu o bairro sistematicamente, e consequentemente parece que liberou tudo! Não tem mais ninguém pra "atrapalhar ". Todas essas razões são mais que suficientes para abrir estudo de patrimônio cultural do bairro que precisaria ter a iniciativa de estudo imediatamente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural porque o Plano Diretor não protegeu esse conjunto, muito menos a paralisação por 180 dias para a avaliação.

Ainda por cima, sem regras (que protejam esse conjunto) novos projetos que consideram o edifício como indivíduo, mas não tem a consideração com o conjunto, criam um ruído e não acrescentam valor ao lugar. É urgente que o programa de necessidade e a aparência do projeto não se sobreponham à vizinhança construída, e sobretudo a proteção dos moradores, para que não sejam expulsos, pois vão chegando e mudando o lugar, tornando impossível morar.

Dirceu me pediu para que escrevesse sobre o Parque do Colégio. Fiz nesta coluna no dia 17 de setembro de 2025 e falava assim sobre as árvores: “O que pudemos assistir foi o show de flores que antecederam à Primavera nesses bairros e que reforçam essa concepção urbanística desse modo de viver. O que foi registrado com muitos compartilhamentos, nas redes sociais, a partir de Dirceu Cardoso, um defensor dessas árvores e da qualidade de vida desse lugar, que mostrou florações e tapetes coloridos que valem a pena apreciar.”  Resta a lembrança triste desse lutador pelo bairro e pela sua ausência em nosso meio, saudade!

Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista