11 de agosto de 2026
OPINIÃO

Um bom projeto: árvore cidadã


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Feliz com a colocação de Jundiaí em segundo lugar entre as cidades com maior qualidade de vida. A primeira é Gavião Peixoto, com apenas quatro mil habitantes, cuja dimensão torna mais fácil gerir boa administração e propiciar a seus moradores um ambiente que lhes prolongue a vida e o faça de maneira a valorizar o convívio, acrescentando longevidade ao seu plano existencial.

Isso deve motivar os jundiaienses a participarem de forma ativa na gestão da coisa pública. É sempre importante recordar que, de acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, o único titular da soberania, do mando, do comando político, é o povo. É o que diz a nossa Carta Magna, logo no seu artigo 1º: “todo o poder emana do povo”.

Todo o governo, em suas três esferas – federal, estadual e municipal – é servo do povo. Está a serviço da população.

O constituinte foi muito tímido ao adotar apenas três institutos da democracia direta para favorecer a participação popular na administração da coisa coletiva. Plebiscito, referendo e a novidade da iniciativa popular. Poderia ter incluído o veto popular e o recall, aqui existente apenas para substituir peças defeituosas de veículos e eletrodomésticos.

É preciso ousar. E uma boa ideia foi a que motivou a vereadora Edir Sales a propor o Projeto de Lei 301/2026, à Câmara Municipal de São Paulo. Institui o Programa “Árvore Cidadã”, no âmbito da maior cidade brasileira. O intuito é fortalecer o vínculo de pertencimento e cuidado entre o munícipe e o meio ambiente de sua cidade.

Como objetivos específicos, o PL 301/2026 propõe promover, de forma democrática e transparente, iniciativas voltadas ao plantio de árvores de espécies adequadas ao meio ambiente urbano paulistano. Envolver a comunidade ativamente nas ações de preservação, cuidado e proteção do patrimônio arbóreo da cidade. Atuar como instrumento de educação ambiental, conscientizando a população sobre a importância da arborização para a regulação climática, a saúde pública e a qualidade de vida e garantir a ampliação da cobertura vegetal em todos os bairros, com base no engajamento e nas demandas reais de seus moradores.

É uma via muito importante e pioneira de participação popular na melhoria da qualidade de vida da cidade. E pode ser replicada em todos os municípios do Brasil. Por que não?

Todas as cidades precisam de mais árvores, ainda que tenham bom percentual de cobertura arbórea. O Brasil é um eficiente fabricante de deserto. Já existem grandes áreas desertificadas neste imenso território de dimensões continentais.

Nossa Jundiaí está sempre ameaçada de perder a Serra do Japi, esse patrimônio garantidor de um benéfico micro clima, que é tombado por lei, mas que não entra, necessariamente, na consciência de cada jundiaiense. A especulação imobiliária, a maldita sede do ouro, que já referi neste espaço, a ignorância e o descuido, a negligência natural de quem se autodenomina racional, porém age de forma irracional, tudo isso procura acabar com a Serra do Japi e, com isso, tornar Jundiaí uma cidade tórrida, provida de um gigantesco maciço de quartzito. Portanto, nosso município, se não tiver muito cuidado e muito zelo, muito juízo e muita cautela, tende a se desertificar também.

Um projeto de lei junto à nossa Câmara Municipal, incentivando o plantio de árvores por iniciativa de cada jundiaiense, vai servir de conscientização geral, para que todos os nossos habitantes sejam amigos do verde e não seus exterminadores.

E que venham novas ideias em favor da natureza. O maior perigo para a humanidade não é a guerra da Ucrânia, nem o confronto Israel-Hamas, ou o fechamento do estreito de Ormuz. É o extermínio do futuro, a começar pelas árvores, pela água, pela atmosfera e pelo solo. Vamos reagir!

José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo