1- A geografia do futebol mudou?
As três seleções mundiais que são as maiores campeãs de Copas do Mundo são:Brasil (5 títulos), Itália (4) e Alemanha (4).
Curiosamente, nas quartas-de-final em 2026, nenhuma delas está lá (lembrando que a Itália nem se classificou). A pergunta é: a geografia do futebol mundial está mudando, ou é só uma “fase ruim” das três?
2 - Ancelotti faria um mea culpa sobre seu trabalho?
Antigamente, uma multidão de jornalistas se aglomerava no aeroporto, aguardando a aterrissagem do avião da Seleção Brasileira, após o término de uma Copa do Mundo (tanto para as pertinentes perguntas pós-derrota, quanto para os festejos pós-vitória).
Hoje, pouquíssimos atletas retornam ao Brasil. Muitos vão para as suas residências no exterior ou ainda direto para férias em lugares paradisíacos.
Se, num exercício hipotético, Carlo Ancelotti voltasse ao Brasil e pudesse te dar uma entrevista: o que você perguntaria?
Eu não tenho dúvida: gostaria de saber quais seus arrependimentos depois da competição: se mudaria o esquema tático reativo, se teria outra formação ou escalação no meio-campo, ou ainda se procuraria entender um pouco mais os adversários.
E as suas perguntas, quais seriam?
3- Sobre as polêmicas da arbitragem de Noruega 1x2 Inglaterra:
Para muitos, foi uma surpresa. Mas está no pacote de mudanças na Regra e atribuições novas ao VAR: em cobranças de bola parada (falta, escanteio, etc), se existir uma falta e a bola não ter entrado em jogo, a cobrança deve ser repetida se o árbitro de vídeo informar.
Haaland deu azar. Óbvio que sem o VAR isso não aconteceria. Mas os tempos são outros… Acertou o árbitro francês ao anular o que seria o segundo gol norueguês.
Sobre o pênalti reclamado pelos ingleses e desmarcado, o VAR também acertou: o atacante joga a perna à frente do defensor, “cavando” o contato. Nada a marcar.
Ops: sobre a polêmica da bola ter batido no cabo de transmissão antes do gol, o sensor do chip não acusou. Se tivesse batido, era necessário dar bola ao chão.
4 - O impedimento semiautomático é um sucesso
Uma novidade de 2022, aperfeiçoada nessa edição, é o uso da tecnologia por IA no impedimento semiautomático.
A grande contribuição do Mundial até então: o impedimento por Inteligência Artificial, com alerta aos bandeiras. Nada de “na dúvida, deixe o jogo seguir” (como acontece aqui, onde os narradores narram e esperam o VAR confirmar o gol, ou não narram e aguardam pra gritar gol).
O uso do árbitro de vídeo em impedimentos é angustiante para jogadores e torcedores. E a pergunta é: quando veremos esse bom sistema, automático, de tecnologia nos campos brasileiros? Se nem o semi-automático “primeira versão” (lá da Copa de 2022) ainda temos, quiçá esse tão moderno?
Nos resta aguardar.
5- O show da final:
Vários artistas importantes cantarão no intervalo da final da Copa do Mundo 2026.
Isso é válido ou não?
Não gosto disso (mas respeito quem pensa diferente). Afinal, o espetáculo deve ter o futebol como protagonista.
Pior: haverá um intervalo de 30 minutos entre o 1º e o 2º tempo. Os treinadores ficarão malucos… afinal, vai dar uma esfriada nos atletas (e no clima).
6 - Hegemonia, apesar de tudo...
Por mais uma edição de Copa, o Brasil continua sendo a única nação que participou de todos os mundiais, e que ainda não será superada. Em 2030, chegará como o único escrete pentacampeão. Mas esse domínio, no papel, continuará até quando?
Rafael Porcari é ex árbitro