11 de julho de 2026
CORRUPÇÃO

Procurador e outras autoridades são presas por desvio milionário

Por Bruna Fantti | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/Gaesf/ Ascom/Imgem ilustrativa
Os mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos na capital fluminense, em São Gonçalo (RJ) e em Teresópolis (RJ).

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou 11 pessoas sob suspeita de desvio de R$ 86,3 milhões do IRM (Instituto Rio Metrópole), autarquia estadual responsável pelos projetos da região metropolitana fluminense.

Foram presos nesta quinta-feira (9), em operação do MP-RJ que investiga desvios, o presidente do órgão, Davi Perini Vermelho, o Didê; o delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, diretor da autarquia; e o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva, que chefiava a Procuradoria-Geral do IRM.

A Folha de S.Paulo busca a defesa dos presos.

A Polícia Civil afirmou que a Corregedoria instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar os fatos que implicaram na prisão do delegado. A corporação afirmou que "não compactua com qualquer desvio de conduta de seus integrantes" e que "mantém rígidos mecanismos de controle interno e colabora permanentemente com os órgãos de fiscalização e persecução, adotando todas as medidas cabíveis para apurar eventuais irregularidades".

O governo do estado afirmou, em nota, que a operação decorre de auditoria no IRM feita pela Controladoria Geral do Estado e pelo Gabinete de Segurança Institucional, cujos relatórios foram encaminhados ao Ministério Público.

A presidência da autarquia, de acordo com o governo, tem mandato de quatro anos e que a atual gestão foi nomeada na administração anterior, com mandato até dezembro de 2026.

"O Governo do Estado reforça o compromisso com a transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o combate à corrupção", diz trecho da nota.

A denúncia, apresentada pelo Gaesf (Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal), atribui aos acusados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e contratações e lavagem de dinheiro.

Os mandados de prisão e busca e apreensão são cumpridos na capital fluminense, em São Gonçalo (RJ) e em Teresópolis (RJ).

A Promotoria afirma que o grupo usou contratos firmados pelo IRM entre julho de 2022 e maio de 2026 para desviar recursos públicos.

A investigação aponta que Didê chefiava o núcleo de servidores públicos do esquema. Segundo a denúncia, ele autorizava contratações, assinava contratos e controlava os pagamentos.

A autarquia repassava em seguida ao Instituto Bio os valores pagos a duas empresas contratadas (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo a investigação, não tinha estrutura operacional compatível com os montantes recebidos. O dinheiro era então sacado em espécie.

A reportagem tentou contato com o instituto por email e mensagens na manhã desta quinta, mas não houve manifestação até o momento.

Outro denunciado é Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM e integrante da Comissão Técnica de Licitação. Para os promotores, ele articulava o direcionamento das licitações em favor das empresas contratadas. Ele é considerado foragido.

A reportagem busca a defesa de Santos.

O diretor do IRM é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que não está entre os investigados na operação.

A Justiça impôs a outros cinco denunciados medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, comparecimento periódico em juízo e proibição de deixar o país.

O Instituto Rio Metrópole é uma autarquia vinculada ao governo do estado. O órgão executa as políticas e os projetos da região metropolitana do Rio, formada por 22 municípios. O órgão funciona como braço técnico do Conselho Deliberativo da Região Metropolitana, colegiado que reúne representantes do estado e das prefeituras. Atua sobretudo nas áreas de mobilidade urbana, saneamento, habitação, meio ambiente e desenvolvimento metropolitano.

Os presos devem passar por audiência de custódia, na qual a Justiça reavalia as prisões preventivas, que, mantidas, devem ser revistas a cada 90 dias, conforme o Código de Processo Penal. Maurício Knoploch dos Santos, considerado foragido, segue com mandado de prisão em aberto.

Recebida a denúncia, os réus serão citados e terão dez dias para apresentar defesa preliminar, antes da instrução do processo, com oitiva de testemunhas e interrogatórios. Em paralelo, o Ministério Público pode requerer o bloqueio de bens dos acusados para garantir o ressarcimento dos R$ 86,3 milhões que teriam sido desviados.

Quem são os presos

- Davi Perini Vermelho, o Didê — presidente do IRM e ex-presidente da Câmara de São João de Meriti; apontado pela investigação como chefe do núcleo de servidores

- Franquis Dias Nepomuceno — diretor de Desenvolvimento Metropolitano Integrado do IRM e delegado da Polícia Civil; apontado pelo MP-RJ como ordenador de despesas e controlador de fato da RioForte

- Marcelo Lopes da Silva — procurador do Estado, então à frente da Procuradoria-Geral do IRM; emitia os pareceres jurídicos, segundo a investigação

- Caroline Soares Barros — fiscal de contratos do IRM e presidente do Instituto BIO, a entidade sob suspeita de ser de fachada de acordo com a Promotoria

- Amanda Íthala Santos da Paschoa — sucessora de Caroline na fiscalização e cunhada do deputado estadual Alexandre Knoploch (que não está entre os alvos da operação); conforme a denúncia, atestava a execução dos contratos;

Foragido

- Maurício Silva Knoploch dos Santos — diretor de Planejamento e Projetos do IRM, membro da Comissão Técnica de Licitação e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch; apontado como articulador do direcionamento das licitações, segundo a investigação