18 de setembro de 2026
OPINIÃO

Nem tudo é sorte


| Tempo de leitura: 2 min

Existe uma parábola contada por Jesus registrada no livro de Mateus, que fala sobre um homem que, caminhando por um campo, encontrou um tesouro escondido. Ao perceber o valor daquilo que havia encontrado, encheu-se de alegria. Então vendeu tudo o que possuía para comprar aquele campo e, assim, tomar posse do tesouro.

À primeira vista, pensamos: “Que sorte!”. Afinal, quantas pessoas passam a vida inteira procurando um tesouro e nunca encontram um?

Mas, quando olhamos com mais atenção, percebemos que essa parábola fala de algo muito maior do que sorte. Ela nos ensina sobre estar no lugar certo, na hora certa, e, principalmente, sobre reconhecer o valor daquilo que Deus coloca diante de nós.

Naquela época, era comum que pessoas escondessem seus bens em campos. Não existiam cofres ou bancos como conhecemos hoje, e enterrar um tesouro era uma forma de protegê-lo. Muitos podiam passar por aquele mesmo lugar sem jamais perceber o que estava escondido ali.

A diferença não foi apenas encontrar o tesouro. A diferença foi reconhecer o seu valor.

Aquele homem compreendeu que havia encontrado algo que mudaria completamente a sua vida. Por isso, não hesitou. Ele reorganizou suas prioridades, abriu mão do que possuía e fez tudo o que era necessário para não perder aquela oportunidade.

Essa parábola me faz pensar em quantas vezes Deus coloca verdadeiros tesouros diante de nós e, por falta de discernimento, deixamos passar.

Algumas oportunidades chegaram, mas não soubemos reconhecê-las. Pessoas extraordinárias cruzaram o nosso caminho, mas não percebemos o seu valor. Portas se abriram, respostas vieram, sementes foram plantadas… e, ainda assim, seguimos esperando que Deus fizesse algo novo, sem perceber que Ele já havia feito.

Talvez o maior problema da nossa geração não seja a falta de oportunidades, mas a incapacidade de enxergar o valor delas enquanto ainda estão diante de nós.

Há quem espere por um grande milagre, quando Deus já entregou uma pequena oportunidade. Há quem aguarde um sinal extraordinário, enquanto o Reino de Deus já está se manifestando em detalhes aparentemente simples.

O tesouro não transformou a vida daquele homem apenas porque estava escondido no campo. Transformou porque ele o reconheceu.

E talvez essa seja a pergunta que precisamos fazer hoje: será que aquilo que tanto temos pedido a Deus já passou diante dos nossos olhos, mas ainda não fomos capazes de reconhecer o seu verdadeiro valor?

Paula Passos é pedagoga, pós-graduada em Educação Parental e atualmente cursa MBA em Psicologia Organizacional e Gestão de Pessoas