05 de julho de 2026
SÃO PAULO

Metrô vai substituir escadas rolantes por baterias de elevadores

Por Fábio Pescarini | da Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Governo de SP
A mudança será feita em estações com ao menos 25 metros de profundidade

O Metrô planeja adotar elevadores no lugar de escadas rolantes em parte da linha 22-marrom, ramal que irá ligar o Sumaré, na zona oeste de São Paulo, às cidades de Cotia e Osasco, na região metropolitana da capital paulista.

Das 19 estações da futura linha, sete terão elevadores com capacidade para até 40 pessoas.

Outras duas, Hebraica-Rebouças e Sumaré, ambas na capital paulista, deverão contar também com escadas rolantes.

Baterias de elevadores de altas capacidade e velocidade, segundo o Metrô, podem reduzir o tempo de deslocamento do mezanino, onde estão as catracas, à plataforma de embarque.

No caso da estação Sumaré, por exemplo, que deverá ter quase 70 metros de profundidade, o deslocamento por elevador é estimado em 1min13, já considerando o tempo de espera pelo equipamento. Por escadas rolantes, o percurso médio calculado é de 4min42.

"A escada rolante, em espiral nos pisos, aumenta o tempo de viagem", afirma Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de planejamento do Metrô.

A mudança será feita em estações com ao menos 25 metros de profundidade.

A decisão está diretamente relacionada à geografia do traçado. "À medida que a linha se afasta dos vales dos rios Pinheiros e Tietê, o terreno se torna mais irregular, exigindo estações mais profundas", diz o Metrô.

Outra justificativa é a economia de energia, que deve ser 90% menor com o uso de elevadores.

Como eles ocupam menos espaços que as escadas rolantes, os poços das estações podem ser menores, o que reduz o custo da obra.

As portas abrirão dos dois lados em estações de maior demanda.

Em um dos desenhos do projeto a que a reportagem teve acesso, da estação Sumaré, há 16 elevadores lado a lado, em grupos de quatro, dispostos em um círculo. Isso, afirma o Metrô, ajuda a distribuir melhor o fluxo de pessoas.

Em outra planta, da estação Santa Maria, em Osasco, são oito, em um extremo do círculo do poço.

Os equipamentos farão ligação direta do mezanino à plataforma de embarque ou desembarque. Mas poderão parar nos demais pisos em caso de pane.

Todas essas estações terão escadas como alternativa se os elevadores quebrarem ou falta de energia.

A mudança, acredita a empresa estatal, ajudará a desestressar os passageiros.

Segundo o gerente de planejamento, em estações como Pinheiros e Luz, da linha 4-amarela, são formadas filas de pessoas que preferem usar os elevadores disponíveis do que encarar as escadas rolantes, devido às distâncias.

No caso da Pinheiros, que faz conexão com a linha 9-esmeralda do trem metropolitano, são mais de 30 escadas rolantes espalhadas pelos seis níveis da estação.

O Metrô instalará as baterias de elevadores em locais com fluxo de aproximadamente 5.000 passageiros por hora em cada sentido.

"São estações de baixa demanda", diz Ferreira. Segundo ele, o Metrô foi conservador na escolha dos locais.

"Não daria para fazer isso na linha 3-vermelha, por exemplo", afirma, citando o ramal que no último mês de março teve mais de 1 milhão de embarques médios por dia, de segunda a sexta-feira. Na linha 22-marrom são esperadas 650 mil pessoas diariamente.

Há locais cujo acesso será feito por elevador, por causa do desnível entre as extremidades. Esse é o caso da Terminal Cotia.

Conforme o gerente, a estatal analisou modelos adotados em metrôs de Barcelona, na Espanha, e de Nápoli, na Itália.

Os elevadores da linha 22 terão capacidade para 14, 33 e 40 passageiros. "Sempre vai ter um abrindo a porta", diz.

Com os elevadores, também há uma expectativa de redução do número de quedas de passageiros nas estações. Segundo dados da empresa, metade dos acidentes no metrô são em escadas rolantes.

A linha 22-marrom está na fase de contratação do projeto básico. A realização das primeiras sondagens começaram no dia 1º de junho, em Cotia.

Não há prazo para o ramal ficar pronto, mas se sair do papel, deve começar a operar em ao menos dez anos.

A etapa atual do projeto consite na perfuração do solo para coleta de dados geológicos e geotécnicos para identificar as características do terreno.

Totalmente subterrânea, a linha 22 deverá ter cerca de 29 quilômetros de extensão e 19 estações, conectando Cotia e Osasco à estação Sumaré, com conexão à linha 2-verde.

Entre outros, vai passar pela USP (Universidade de São Paulo) —terá estações na praça do Relógio e no Hospital Universitário.

O tempo médio estimado de viagem de todo o percurso deverá ser de 42 minutos.