25 de julho de 2026
OPINIÃO

Os maus homens públicos


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Não vou dar nome aos bois. Ele podia ser de esquerda ou de direita. Por acaso, era de esquerda, 75 anos, figura eleita importante para este Brasil. Aberta a Caixa de Pandora brasileira, com os Vorcaros, acho que sobrarão poucos políticos sem conexão com a tríade demoníaca: dinheiro, sexo e poder. E não há dogmatismo político algum nesta farra. Esse dinheiro servia tanto à direita quanto à esquerda.

Bem, na entrevista que li, o político se desculpava pelo dinheiro intermediado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Mas, seguia além: “o que é que tem demais de pegar carona com um jatinho de um empresário?” “O que é que tem demais a gente comentar sobre alguns negócios com um banqueiro? Ajudar? Fazer conexões?”

Aí, meu amigo, esse voto que nunca foi seu, azedou. Como é que os políticos acham que não há nada demais? É imoral pegar carona num jatinho do empresário. Porque um voo particular, de jatinho, de SP a Salvador, por exemplo, custa em média R$ 150 mil.  Não creio que vários voos de jatinho, de carona, não acabarão por trazer certo benefício ao proprietário da aeronave.  E aqui faço um parênteses - já passou da hora de os políticos enfrentarem o caos diário dos aeroportos brasileiros para saber como o passageiro comum sofre com falta de dignidade, segurança e até iluminação! Pelo menos, este é o exemplo de nossos políticos nórdicos - todos usam trem, metrô e voos domésticos.

Bem, não sei vocês, mas eu cresci escutando a história de verdadeiros homens públicos. Aqueles que colocavam dinheiro próprio para a conta da Prefeitura de Jundiaí fechar no final do mês. Ou então vereadores que não ganhavam salário. Ou homens, com cargo público, que varavam a madrugada para estar próximo da população. 
Infelizmente, eu não vejo mais nada disso. O que percebo é total dicotomia em relação à realidade diária da população. Favores, festas, conviscotes, empréstimos milionários, roupas de grife, bolsas carésimas, supercarros, que aposto com vocês não foram pagos pelo salário oficial dos políticos.

A farra nababesca - de mau gosto e até kitsch - passa por uma falha moral profunda dos brasileiros. E essa farra pública inclui encher o bolso de dinheiro com negócios no privado. E nisso incluem-se juízes, ministros etc, que colocam a serviço dos mesmos empresários os escritórios privados de suas mulheres ou filhos. Claro, com uma linha tênue entre os interesses de Estado e do particular.

A verdade é que a gente não sabe mais o que é público ou privado. A quais interesses os políticos defendem naquele minuto. Mas posso te garantir: o meu e o seu não são. A coisa pública está contaminada com os interesses vis de muitos grandes empresários.

E no dia a dia o que sobra? Esta escola pública sem qualidade, transporte deficitário, saúde pública em declínio, demora para conseguir consulta, cirurgia. E no balaio dos Vorcaros tinha de tudo, peixe grande, vermelho, azul, defensores da pátria e família. Mas, acima de tudo, defensores de seus próprios bolsos.
Uma nação sem moral e sem educação vai mal. Na hora de votar, fiquemos espertos. Políticos farreadores, amigos de conviscotes, não deveriam ser mais eleitos.

Ariadne Gattolini é jornalista e escritora. Pós-graduada em ESG pela FGV-SP, administração de serviços pela FMABC e periodismo digital pela TecMonterrey, México. É editora-chefe do Grupo JJ