Algumas exposições em Jundiaí, me provocaram! Assim, uso o artigo de Lina Bo Bardi (1914 - 1992), que falou sobre isso salvando o feio como direito, mas não poupou tudo. A arte e educação assim como a difusão tem espaço cada vez maior na cidade e no Estado! No país então, é o máximo os reconhecimentos e interesse internacional por essas produções de artistas nacionais.
Acontece que 3 exemplos, que não conversaram entre si, são bons para apreciarmos e refletirmos sobre o "feio". A exposição sobre tatoo, que João Borin faz na Pinacoteca Diogenes Duarte Paes, que mostra o bizarro no corpo, o suporte da pele como manifestação do kitsh, do registro eterno pelo amor, pelo sexo, na pele que ficara gravado até a morte! Mostra o quanto é banal hoje o que foi um mito com preconceitos e que identificava presos e marinheiros, que gravavam em seu corpo, o corpo de cada mulher com as quais fez sexo e que nunca mais vai esquecer!
Na mesma pinacoteca, em área contígua, a exposição “Lost Toys – Brinquedos Perdidos”, de Eduardo Höfling Milani, que mostra o kitsch nos brinquedos de crianças, na linguagem, nas cores e no objeto escolhido de representação que lembra propagandas de brinquedos antigos para crianças, quase todos importados, mas com cores e trabalhos impecáveis, unindo aquarelas com colagens e sempre com essa cara que foi kitsch e agora é arte!
É preciso lembrar das esculturas de Vera Lucchini, que ao contrário, usam os próprios brinquedos antigos para denunciar o horror das violências contra a mulher, usando o kitsch de forma subversiva, com o conceito de "apropriação e ressignificação". Suas assemblages em bonecas de porcelana antigas, bolsas e sapatos, carregam a máxima herança do bibelô kitsch doméstico. Enquanto o consumidor comum busca no kitsch o conforto emocional e a fofura inofensiva, Vera faz exatamente o oposto: usa a estética do brega e do sentimental para chocar e causar desconforto.
O que tem em comum? Tem em comum que as tatuagens estão nos 5 pontos que Abraham Moles (1920 - 1992), filósofo francês e um dos pioneiros da Teoria da Informação, em seu livro “O Kitsch: A Arte da Felicidade” (1975), fala que kitsch é a estética própria da sociedade de consumo, baseada na reprodução, no excesso ornamental e no sentimentalismo que em vez de buscar inovação ou crítica, proporciona familiaridade e prazer imediato, que podem ser identificadas através de 5 critérios: Inadequação, onde há um desvio entre a função real do objeto e a sua forma, material e tamanho; Cumplicidade, onde o objeto tenta “seduzir” de forma barata o usuário apelando para fofura, sensualidade e sentimentalismo; Acumulação, com o excesso de detalhes , texturas e cores; Sinestesia criando estímulos de vários sentidos de forma exagerada para sedução; e o Conforto, priorizando a facilidade e a conveniência.
Isso foi o que Dona Lina apresentou em 1982 quando fez no SESC Pompeia a exposição “O Direito ao Feio” com os trabalhos de funcionários do INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdenciária Social.
Mas o que não se vê e nem se fala, é sobre o que é medíocre ou mal feito, mostrado oficialmente nas áreas expositivas de Jundiaí, muitas vezes com críticas fortes e que não são reveladas, mas que recebo por conta de escrever neste jornal. Claro que não vou apontar essas falhas, que mostram agentes que não tem competência para fazê-las!
O direito ao feio é fundamental, mas mostrar mal a história? Eu ouvi de uma secretária que eu admiro "eles precisam saber perguntar pra quem sabe, pra não cometer erros". Tem razão! Não o fazem!
Eduardo Carlos Pereira é arquiteto e urbanista