26 de julho de 2026
OPINIÃO

Transtorno 2: Transtorno Opositor Desafiador


| Tempo de leitura: 2 min

Caro leitor, frases como “ele só quer chamar atenção”, “é falta de limites” “essa criança é mal-educada”. Quem tem um filho, aluno ou convive com uma criança que apresenta comportamentos intensamente rebeldes certamente já ouviu, ou pensou, algumas dessas frases. No entanto, por trás de uma frequência exaustiva de discussões, acessos de raiva e recusa sistemática em seguir regras, pode estar algo que vai muito além de uma simples fase difícil ou de falhas na educação: o Transtorno Opositor Desafiador (TOD).

O TOD é um transtorno de conduta que costuma dar as caras na infância e pode se estender até a adolescência. Não estamos falando daquela teimosia natural do desenvolvimento, saudável para que a criança teste seus limites e construa sua identidade. No TOD, o comportamento é persistente, padrão e desproporcional. A criança ou o jovem enxerga as figuras de autoridade — pais, professores, mais velhos — não como guias, mas como oponentes.

Para o diagnóstico, os médicos e psicólogos observam um padrão que dura pelo menos seis meses e causa prejuízos reais no dia a dia da família e da escola. Os principais sintomas incluem irritabilidade constante: Humor raivoso, ressentido ou facilmente irritável no cotidiano; comportamento desafiador: Discussões frequentes com adultos, recusa ativa em cumprir ordens e a mania de culpar os outros pelos próprios erros; índole vingativa: Comportamentos maliciosos ou rancorosos pelo menos duas vezes nos últimos meses.

O grande perigo do desconhecimento em torno do TOD é o isolamento social. A criança passa a ser rotulada como "o problema" da turma, e os pais, muitas vezes, são julgados e excluídos de círculos sociais por uma sociedade que prefere apontar o dedo a estender a mão.

Caro leitor, ninguém escolhe ter TOD, e nenhum pai ou mãe "desenha" um filho com o transtorno. As causas são multifatoriais, envolvendo uma mistura de predisposição genética, fatores neurobiológicos e o ambiente em que a criança vive.

A boa notícia é que o TOD tem manejo. O tratamento não se resume a "corrigir" a criança, mas sim a treinar o ambiente ao seu redor. A intervenção eficaz envolve psicoterapia (especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental), orientação e suporte psicopedagógico para a escola e, fundamentalmente, o treinamento de pais. Os adultos precisam aprender a dar ordens claras, estabelecer consequências previsíveis e, acima de tudo, elogiar e reforçar os comportamentos positivos.                

Caro leitor, olhar para o TOD com empatia é entender que aquela criança que mais afasta as pessoas com sua agressividade é, frequentemente, a que mais precisa de ajuda para se autorregular. O primeiro passo para a mudança não é o castigo, mas sim a informação correta e o acolhimento. Pense nisso!

Micíeia Izidoro é é psicopedagoga Clínica e Institucional, Neuropsicopedagoga Clínica e pós-graduada em ABA