28 de junho de 2026
ENGRENAGEM

Região de Jundiaí se mobiliza pela reeleição de Tarcísio

Por Diná de Mello |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Tarcísio é nome de consenso na reeleição a governador

Faltam menos de quatro meses para o início oficial do período eleitoral, e a Região Metropolitana de Jundiaí (RMJ) já desponta como uma das áreas estratégicas para a campanha de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com perfil conservador, forte presença do agronegócio, empresariado organizado e baixa representatividade da esquerda nos Executivos municipais, a região é vista como um reduto natural de apoio ao governo estadual — ainda que, formalmente, nenhum partido tenha anunciado apoio oficial à corrida de 2026.

Nos últimos meses, o Governo do Estado intensificou a entrega de obras na RMJ, movimento apontado por lideranças locais como o principal eixo da estratégia de reeleição. Em Jundiaí, a Prefeitura — por meio da assessoria de imprensa do prefeito Gustavo Martinelli — afirma manter articulação direta com o Palácio dos Bandeirantes. A gestão estadual viabilizou obras de mobilidade na Rodovia Anhanguera, autorizou um túnel no prolongamento da Avenida Frederico Ozanam e a passagem inferior na Rodovia João Cereser, além de atender a reivindicação de terceira faixa na Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto. Há também repasses ampliados via Tabela SUS Paulista, R$ 10 milhões para recapeamento de vias e R$ 17 milhões para um novo ginásio poliesportivo — o primeiro de grande porte na cidade desde 1992 —, além de contrapartidas em programas habitacionais e a previsão do Trem Intercidades, que deve ampliar a integração entre Jundiaí, Campinas e a capital.

Na esfera partidária, o PL tem vários representantes na RMJ. Outras siglas de centro-direita, como Republicanos, União Brasil e PSD, também têm presença relevante em cargos da região, embora ainda não haja anúncio formal de coligação. Lideranças descrevem o movimento como espontâneo e descentralizado: cada município organiza suas manifestações de apoio, sem coordenação regional unificada — traço que, segundo esses interlocutores, já marcava as mobilizações bolsonaristas desde 2018.

Presidente da Câmara de Várzea Paulista e filiado ao PL, Eliseu Notário Alves confirma que segue no partido e na presidência do Legislativo. "A direita da região tem mantido diálogo constante entre suas lideranças e trabalhado de forma unida em torno de um projeto que considera positivo para São Paulo", afirma. Para ele, "a principal articulação para uma eventual reeleição do governador Tarcísio será a apresentação dos resultados e investimentos que seu governo tem levado aos municípios e à população paulista" — não a costura de alianças formais. Notário adianta que o governador estará em Várzea Paulista nesta segunda-feira,(29) para inaugurar o novo hospital da cidade. Sobre o peso de Jair Bolsonaro na disputa, ele não tem dúvidas: "Jair Bolsonaro continua sendo um nome muito forte na campanha do Tarcísio, não tenho dúvida, foi o presidente que lançou o nome do Tarcísio a governador, e não tenho dúvidas que continua sendo muito influente."

Em Jundiaí, o vereador Madson Henrique, também do PL, traz um tom mais cauteloso ao discurso de unidade regional. "Eu não conheço nenhum interlocutor do governador aqui na região, não posso afirmar que tem alguém que trabalhe diretamente com o governador que faça essa interlocução pra ele", diz. Para ele, "quando se fala da direita, o apoio é muito espontâneo, é muito individual, é muito do movimento de rua" — sem uma organização com dono. Madson diz atuar nesses movimentos desde 2018, quando Bolsonaro foi candidato à Presidência pela primeira vez, e resume assim o papel do ex-presidente na disputa paulista: "Quando você pergunta qual o peso de Jair Bolsonaro na campanha paulista, eu respondo com outra pergunta: quem era Tarcísio de Freitas antes do presidente Bolsonaro?" O vereador reconhece entregas do governo estadual — "o governo estadual tem diversos feitos, nós fizemos aqui algumas falas com relação, por exemplo, ao salário mínimo paulista, que é maior que o salário mínimo federal, com relação à Tabela SUS Paulista, que é maior, entre outros feitos do governo do Tarcísio."

A campanha de 2026 ainda não começou oficialmente, mas as conversas entre lideranças conservadoras da RMJ já se intensificam — sinal de que a disputa pela reeleição de Tarcísio de Freitas deve ganhar contornos mais claros nos próximos meses.