27 de julho de 2026
OPINIÃO

Segredos do governo Tarcísio


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Em sua reta final, o governo Tarcísio de Freitas vai empilhando arquivos secretos, muito bem guardados longe de olhos curiosos. E isso não é bom. A transparência não é um detalhe administrativo. É um dos pilares da democracia. Quando um governo dificulta o acesso a informações públicas, impede a fiscalização da sociedade e enfraquece os mecanismos de controle que protegem o interesse coletivo.

Vamos aos fatos. E adianto que não são poucos. Desde a sua privatização, a Sabesp vem acumulando uma sequência de acidentes, que culminou em uma explosão que deixou duas pessoas mortas, dois feridos e destruiu 105 casas na zona Oeste de São Paulo. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso, mas com a conclusão do laudo pericial, o documento foi colocado sob sigilo.

Algo injustificável se considerarmos que se trata de um documento técnico que aponta as causas do evento, sem inferências sobre responsabilidades e dolo, atribuição da investigação policial. A sensação é de que se trata de mais uma tentativa de blindar a privatização da Sabesp contra críticas legítimas e suspeitas fundadas em um período em que a disputa eleitoral bate à porta.

Há outros segredos. O governo Tarcísio autorizou o pagamento de R$ 3,7 bilhões à concessionária responsável pela Linha 6-Laranja do Metrô, sob a justificativa de problemas geológicos que teriam alterado as condições da obra. Quem quiser ler o documento técnico que fundamentou a decisão não vai conseguir. Ele está sob sigilo. Em outras palavras, os contribuintes pagam a conta, mas não podem verificar os argumentos que justificaram o desembolso.

Outro exemplo são os benefícios fiscais. Desde 2023, o próprio Tribunal de Contas do Estado enfrenta dificuldade para obter dados completos sobre as empresas beneficiadas. No relatório sobre as contas do governo referentes a 2025, o TCE voltou a apontar a irregularidade e reiterou a necessidade de divulgação integral da lista de favorecidas. Os números são astronômicos e o ministro relator das contas chamou a renúncia fiscal de “orçamento paralelo”.

Não é de hoje que eu tenho colocado o dedo nessa ferida. Os benefícios fiscais a um grupo seleto de empresas são um segredo guardado a sete chaves pelo governo Tarcísio. Eu mesmo já questionei. E ao invés de respostas, recebi um processo movido pelo próprio governador.

Cada um destes casos isolados representam um problema significativo, mas a repetição do comportamento é ainda mais preocupante. Quando diferentes temas são cercados pelas mesmas barreiras de acesso à informação, deixa de ser possível tratar os episódios como coincidências.

Governos têm o direito de defender suas políticas. O que não podem fazer é impedir que a população conheça os dados que sustentam suas decisões. Transparência não é um favor. É uma obrigação perante os cidadãos. E a atual administração está em falta.

Mário Maurici de Lima é jornalista, deputado estadual e primeiro secretário da Assembleia Legislativa de São Paulo