13 de julho de 2026
OPINIÃO

Capital e ineficiência, freios da indústria


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A recente divulgação do Ranking de Competitividade do IMD, realizado em parceria com a Fundação Dom Cabral, acendeu um sinal de alerta crítico para toda a sociedade: o Brasil caiu para a 65ª colocação entre 70 nações avaliadas. Como vice-presidente do Ciesp, vejo com profunda preocupação os fatores estruturais que ditaram esse recuo, especialmente a persistente deterioração da eficiência governamental e o sufocante custo de capital que historicamente pune quem produz no país.

Embora o Copom tenha reduzido a taxa Selic nesta semana para 14,25% ao ano, reflexo direto de uma trégua na inflação dos combustíveis, o juro real praticado no ambiente nacional permanece proibitivo. Esse patamar excessivamente elevado inibe qualquer planejamento de investimentos de longo prazo.

No ecossistema industrial, que é o grande motor da economia e o nicho de atuação do Ciesp, o crédito caro atua como uma verdadeira âncora: encarece drasticamente as decisões de investimento, reduz a previsibilidade financeira das empresas e sabota a alocação de recursos em inovação, que seria fundamental para o nosso desenvolvimento. Não há como falar seriamente em modernização e expansão produtiva sob condições financeiras tão adversas.

Somado a isso, as falhas crônicas na gestão pública, a burocracia excessiva e os conhecidos gargalos na infraestrutura nacional criam um ambiente hostil para o empreendedorismo. O setor privado tenta reagir de todas as formas, mas o endividamento crescente e o elevado custo de capital asfixiam a nossa competitividade global. Isso afeta diretamente a formação de capital de longo prazo e atrasa severamente a evolução tecnológica da nossa base fabril, que perde espaço para concorrentes externos mais ágeis.

Contudo, o relatório internacional também expõe fortalezas que provam a imensa resiliência brasileira: ocupamos o excelente 5º lugar em geração de empregos de longo prazo e a 7ª colocação em fluxo de investimento direto estrangeiro. Esses dados expressivos sinalizam a relevância contínua do país nas estratégias globais de grandes multinacionais e o nosso papel fundamental como um destino chave de investimentos entre as principais economias emergentes.

Para que essas vantagens competitivas não sejam completamente desperdiçadas, o país precisa enfrentar de frente seus desafios estruturais e institucionais mais urgentes. Não estamos em terra arrasada, e temos uma sólida agenda de desenvolvimento a ser construída. Mas a modernização definitiva da indústria paulista e nacional depende, obrigatoriamente, da consolidação de um Estado mais eficiente, menos custoso e de taxas de juros que permitam o crescimento sustentável.

FRANCESCONI JÚNIOR, 1? vice-presidente do Ciesp e diretor da Fiesp