A expansão da Rede Federal em São Paulo é necessária. O planejamento é indispensável.
O Estado mais populoso e produtivo do país precisa formar técnicos, tecnólogos, engenheiros, professores e profissionais capazes de responder à indústria, à logística, aos serviços, à inovação, à inteligência artificial e à produtividade.
Essa missão não começa do zero. Etecs, Fatecs, Senai e Sesi formam um ecossistema de qualidade, com ensino técnico, formação tecnológica, qualificação industrial, educação básica, cultura, ciência, esporte e formação integral. Esse patrimônio de São Paulo deve ser valorizado.
A Rede Federal não substitui esse sistema. Ela soma. Sua natureza é própria: ensino público federal, gratuito, verticalizado, com cursos técnicos, superiores, licenciaturas, engenharias, pesquisa aplicada, extensão e presença territorial.
Conforme anunciado pelo governo federal foi encaminhado projeto de lei à câmara para a criação de novos Institutos Federais, foram mencionados o Instituto Federal do ABC, o Instituto Federal do Interior Paulista, o Instituto Federal do Oeste Paulista e o Instituto Federal do Alto Tietê e Vale do Paraíba. Se o Instituto Federal do Interior Paulista avançar, Jundiaí merece ser considerada como sede de sua reitoria.
Não se trata de privilégio local. Trata-se de centralidade, vocação produtiva, logística regional, história institucional e capacidade de articulação. Jundiaí está entre a capital paulista e Campinas, no eixo Anhanguera-Bandeirantes, com conexão rodoviária, ferroviária, industrial, logística e de serviços. Sua localização permite dialogar com campi já existentes da Rede Federal no entorno ampliado, como Campinas, Hortolândia, Salto, Sorocaba, São Roque, Capivari, Piracicaba e Bragança Paulista, além do próprio Campus Jundiaí. Uma reitoria nessa posição poderia aproximar decisões, reduzir distâncias administrativas e fortalecer a integração entre municípios, servidores, estudantes, setor produtivo e comunidades regionais.
Uma reitoria em Jundiaí poderia coordenar, em diálogo com prefeitos e lideranças locais, a expansão planejada de campi, polos, laboratórios e ações de extensão para Itatiba, Cabreúva, Campo Limpo Paulista, Itupeva, Jarinu, Louveira e Várzea Paulista. Cada cidade poderia, respeitando suas vocações, desejar uma faculdade pública de engenharia e tecnologia, gratuita e de qualidade.
Na era da inteligência artificial, isso é decisivo. Não basta formar usuários de tecnologia. É preciso formar criadores, gestores, engenheiros, programadores, técnicos e profissionais capazes de aplicar dados, automação, robótica e logística inteligente à vida real das cidades. A IA não elimina a necessidade de bons engenheiros. Ao contrário, aumenta a urgência de formar pessoas capazes de interpretar dados e resolver problemas concretos.
O cidadão precisa enxergar essa oportunidade. Uma reitoria em Jundiaí pode significar mais cursos, laboratórios, professores, servidores, estudantes, pesquisa aplicada, inovação e jovens permanecendo na região com formação pública de alto nível. Isso pode acontecer em etapas e com velocidade, desde que haja lei, orçamento, terreno, projeto acadêmico, servidores e escuta pública.
O Campus Pirituba mostra que esse caminho é possível. Com terreno concedido, audiências públicas e implantação planejada, tornou-se referência na zona noroeste da capital. Hoje conta com Bacharelado em Engenharia de Produção, curso que recebeu nota máxima do MEC, demonstrando que expansão pode ser feita com qualidade.
Jundiaí reúne ainda uma condição rara: o campus do IFSP recebeu da cidade um terreno capaz de comportar uma estrutura moderna de reitoria regional. Uma futura sede poderia acolher pró-reitorias, diretorias, coordenadorias, equipes técnicas e servidores de alto nível, formando um centro de decisão federal voltado à educação, à ciência, à tecnologia e à inovação.
Esse debate precisa respeitar a lei e a comunidade acadêmica. A Rede Federal é organizada pela Lei nº 11.892, de 2008. Qualquer reorganização exige projeto de lei, tramitação no Congresso Nacional, orçamento, estudos publicizados, critérios claros e diálogo com docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Anúncio público não substitui segurança jurídica, democracia interna e consulta responsável.
A expansão merece apoio. Mas apoio responsável exige condições. Servidores precisam ter trajetórias respeitadas, direitos preservados e condições de trabalho valorizadas. Nenhuma mudança deve produzir insegurança funcional, deslocamentos forçados, perda de identidade dos campi ou decisões tomadas longe de quem vive a instituição todos os dias. Estudantes precisam de curso, permanência, transporte, assistência estudantil, laboratório, biblioteca, professor em sala e técnico no campus.
Jundiaí conhece essa realidade. Em 2024, o IFSP inaugurou sede própria no Vetor Oeste. A linha 419, ligando o Terminal Vila Arens ao Instituto Federal, foi importante, mas a demanda por atendimento noturno continua sensível. Muitos alunos trabalham durante o dia, estudam à noite e dependem do transporte público para voltar para casa com segurança.
Se o Instituto Federal do Interior Paulista se tornar realidade, Jundiaí merece sediar sua reitoria. Não por disputa com outras cidades, mas por centralidade, logística, vocação produtiva, infraestrutura disponível, escuta da comunidade e capacidade de irradiar oportunidades.
Expandir é necessário. Fazer bem feito é indispensável.
Luiz Fernando Machado, Advogado, ex-vereador, ex-vice-prefeito, ex-deputado federal, ex-deputado estadual, ex-prefeito de Jundiaí, ex-secretário executivo de Desestatização e Parcerias da Prefeitura de São Paulo, vice-presidente estadual do PL-SP e pré-candidato a deputado federal.
José Antonio Parimoschi, Administrador, especialista em gestão de cidade pela FAAP, ex-professor da FAAP, ex-chefe de gabinete na Câmara dos Deputados, ex-secretário-geral da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ex-secretário de Finanças de Jundiaí, ex-secretário adjunto de Planejamento e Gestão do Governo do Estado de São Paulo, ex-gestor de Governo e Finanças de Jundiaí e secretário executivo de Desestatização e Parcerias da Prefeitura de São Paulo.