O prefeito de Jundiaí, Gustavo Martinelli (União), defendeu a suspensão por seis meses da aprovação de novos empreendimentos imobiliários na cidade para permitir a revisão das regras de crescimento urbano. A medida inclui a discussão de novas contrapartidas imobiliárias e a revisão do Plano Diretor. Os anúncios foram feitos durante a gravação do Podcast JJ, com a editora-chefe, Ariadne Gattolini, e em participação ao vivo na Rádio Difusora, com o jornalista Itamar Gonçalves, nesta quarta-feira (17). Ele garantiu, ainda, um processo transparente e democrático para estas discussões.
Segundo o prefeito, obras já aprovadas ou em execução não serão afetadas pela medida. A proposta ocorre em meio ao avanço do setor imobiliário e à necessidade de adequar a infraestrutura urbana ao ritmo de crescimento da cidade.
Um dos principais destaques da entrevista foi o alerta feito por Martinelli sobre os impactos da expansão urbana. De acordo com os dados apresentados pelo prefeito, Jundiaí possui atualmente cerca de 20 mil unidades habitacionais entre projetos pré-aprovados, aprovados ou em andamento. Apenas na região da Ponte São João, a estimativa é de implantação de aproximadamente 2.400 novas unidades habitacionais.
Para o chefe do Executivo, o desenvolvimento da cidade precisa ocorrer de forma planejada para garantir qualidade de vida à população. “Temos que crescer com sustentabilidade”, afirmou.
O debate também abordou a retomada das políticas habitacionais voltadas à população de baixa renda. Segundo Martinelli, o município ficou cerca de dez anos sem entregar moradias populares. Para ele, o alto custo dos terrenos e imóveis tem levado moradores a buscar habitação em cidades vizinhas.
Nesse contexto, o prefeito defendeu a ampliação da oferta de moradias acessíveis e associou a política habitacional ao processo de requalificação do centro da cidade. Segundo ele, a estratégia passa por incentivar a ocupação residencial da região central, além de fortalecer atividades culturais e gastronômicas. “Não queremos expulsar as pessoas de Jundiaí”, afirmou.
Martinelli afirmou que a revitalização da Praça da Matriz deverá ser licitada em breve e que a reocupação habitacional do centro integra o planejamento de desenvolvimento urbano da administração municipal. “Quero uma Jundiaí melhor para viver, não quero que as pessoas busquem qualidade de vida em outro município”, disse.
Para o prefeito Gustavo Martinelli, o crescimento de Jundiaí precisa ser acompanhado de uma análise mais rigorosa dos impactos gerados pelos novos empreendimentos. Segundo ele, a avaliação dos reflexos no sistema viário, no abastecimento de água, na rede de saúde e na educação deve ser aprimorada para que o poder público tenha condições a partir de obras estruturantes.
O prefeito também alertou para a necessidade de planejamento hídrico diante da expansão urbana. Em um cenário de estiagem severa, segundo Martinelli, “Jundiaí possui capacidade de abastecimento para até 70 dias”.
Na avaliação do chefe do Executivo, algumas regiões já apresentam sinais de saturação da infraestrutura urbana. “A região do Jd. Santa Gertrudes está próxima do colapso”, declarou.
Além dos impactos sobre a infraestrutura, Martinelli afirmou que a revisão da legislação urbanística deverá contemplar a ampliação das áreas de conservação da Serra do Japi, através da Lei 417. Segundo ele, a administração pretende discutir mecanismos para direcionar futuras compensações ambientais para ações de preservação.
Entre as possibilidades citadas está a utilização das compensações relacionadas às obras do Trem Intercidades (TIC) para a aquisição de áreas particulares destinadas à conservação ambiental. “Jundiaí nunca teve isso”, afirmou.