Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com a Polícia Militar e a Polícia Civil, resultou na deflagração da 'Operação Torneira', realizada nesta terça-feira (16) em diversas cidades do Estado de São Paulo. A ação teve como foco o combate à lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e apontou movimentações financeiras que, somadas, se aproximam de R$ 230 milhões. As investigações tiveram início há alguns meses na região conhecida como "Torneira", no Jardim São Camilo, em Jundiaí, área dominada pelo tráfico.
Segundo o comandante do 11º Batalhão da Polícia Militar de Jundiaí, tenente-coronel Augusto José Martinelli, o trabalho investigativo revelou conexões entre grupos criminosos que atuam em Jundiaí e região com traficantes de cidades distantes, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. “A ligação entre esses grupos estava no uso das mesmas empresas de fachada para a lavagem de dinheiro proveniente do crime organizado”, explicou o comandante durante entrevista coletiva realizada na sede do 11º BPM/I.
Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Jundiaí, Campo Limpo Paulista, Valinhos, Cajamar, Aguaí, Orlândia, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Birigui, Penápolis e Araçatuba. Quatro pessoas foram detidas durante a operação. Três delas acabaram presas em flagrante: duas por tráfico de drogas, em Jundiaí, e uma por posse ilegal de arma de fogo, em Valinhos.
De acordo com informações apuradas pelo Jornal de Jundiaí, as empresas utilizadas para movimentar os recursos investigados são companhias de fachada ou registradas em nome de 'laranjas', atuando em segmentos diversos, como tecnologia e construção civil. Em alguns casos, várias empresas possuíam o mesmo endereço cadastrado, incluindo imóveis residenciais.
INVESTIGAÇÕES
Segundo as investigações, os criminosos se reuniam com frequência na região da Torneira, localizada no coração do Jardim São Camilo. O local também é apontado como palco de reuniões conhecidas como "tribunal do crime". A área concentra diversos pontos de venda de drogas, separados por menos de 100 metros de distância. O nome da operação faz referência tanto ao local onde as investigações tiveram início quanto à associação simbólica com o esquema de lavagem de dinheiro apurado pelas autoridades.
Participaram da operação equipes da Força Tática do 2º BPM/I, 11º BPM/I e 49º BPM/I, além da Rota, do 1º, 9º, 10º e 11º BAEPs, com apoio do Deinter-10.
As investigações continuam. Todo o material apreendido durante a operação, incluindo celulares, documentos, anotações e registros financeiros, será analisado para aprofundar a identificação dos envolvidos e esclarecer a extensão do esquema criminoso.