16 de junho de 2026
MAGIA DA COPA

Haitianos celebram retorno histórico à Copa após 52 anos

Por Vitor Silva |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Ernst Cadet, de 37 anos, comenta o momento especial para o país

Depois de 52 anos longe da principal competição do futebol mundial, o Haiti voltou a disputar uma Copa do Mundo. O retorno da seleção caribenha ao torneio tem mobilizado torcedores dentro e fora do país, incluindo a comunidade haitiana que vive em Jundiaí e região.

Para muitos haitianos, a classificação representa um momento histórico. A última participação do país em um Mundial havia acontecido em 1974, o que significa que boa parte da população jamais teve a oportunidade de acompanhar a seleção em uma Copa.

É o caso de Ernst Cadet, de 37 anos, que vive no Brasil há 14 anos. Casado e pai de dois filhos nascidos em território brasileiro, ele afirma que a presença do Haiti no torneio é motivo de orgulho para toda a comunidade.

Segundo Cadet, o futebol sempre esteve presente no cotidiano dos haitianos, embora a seleção masculina tenha passado décadas distante dos grandes palcos internacionais. Ele explica que, durante muitos anos, o destaque do país esteve mais ligado ao futebol feminino e às competições locais.

“Faz 52 anos que o Haiti não disputava uma Copa. Eu nem tinha nascido quando aconteceu a última participação. Para nós, estar novamente no Mundial é algo muito grande”, afirmou.

O haitiano conta que a atual seleção reúne atletas que atuam em países como França, Estados Unidos e Espanha. Na visão dele, a experiência internacional dos jogadores foi importante para recolocar o país entre os participantes da competição.

Além da questão esportiva, Cadet acredita que a Copa também ajuda a ampliar o conhecimento sobre a história haitiana. Segundo ele, muitas pessoas acabam conhecendo mais sobre o país justamente por causa da visibilidade proporcionada pelo torneio.

“Para nós é muito bom porque as pessoas passam a olhar mais para o Haiti. É um país pequeno, mas com uma história muito grande. Temos muito orgulho das nossas origens e da nossa trajetória”, disse.

O sentimento é compartilhado por Jean Cantave, de 43 anos, que mora no Brasil há 11 anos. Apaixonado por futebol, ele acompanha a modalidade desde a juventude e nunca deixou de torcer pela seleção haitiana.

No Brasil, Jean também desenvolveu uma ligação com o futebol nacional. Torcedor declarado do São Paulo, ele acompanha o clube regularmente e afirma que o esporte ajudou na adaptação ao novo país.

Para ele, o retorno do Haiti à Copa representa uma oportunidade de mostrar ao mundo uma realidade diferente daquela frequentemente associada ao país. “Agora muitos países vão conhecer mais sobre o Haiti. Isso é muito importante para nós”, afirmou.

A expectativa da comunidade haitiana já está voltada para um dos jogos mais aguardados da fase de grupos. Na sexta-feira, dia 19 de junho, às 21h30, Haiti e Brasil estarão frente a frente em um confronto que promete mexer com sentimentos dos dois lados.

Cadet admite que a partida terá um significado especial. Admirador da Seleção Brasileira desde criança, ele brinca que pretende encontrar uma maneira de apoiar as duas equipes ao mesmo tempo. “Todos os haitianos gostam muito do Brasil. A gente gosta da seleção brasileira e também do povo brasileiro. É um carinho muito grande”, afirmou.

Bem-humorado, ele chegou a dizer que pretende vestir as duas camisas durante a partida. “A camisa do Brasil vai estar por baixo e a do Haiti por cima. Se acontecer alguma coisa, eu troco”, brincou, aos risos.

Jean, por outro lado, não demonstra dúvidas sobre a preferência inicial. “Agora eu vou torcer para o Haiti. Acho que o Haiti vai ganhar do Brasil”, disse. Independentemente do resultado, os dois concordam que apenas ver a seleção haitiana novamente em uma Copa do Mundo já representa uma conquista histórica para um povo que esperou mais de meio século para voltar ao principal palco do futebol mundial.

As entrevistas foram realizadas no Centro Scalabriniano de Promoção do Migrante (Cesprom), instituição que atua no acolhimento e na integração de imigrantes em Jundiaí. A entidade oferece cursos de língua portuguesa, informática, panificação, costura e outras capacitações profissionais, além de auxiliar na regularização migratória, doação de itens básicos e encaminhamento para serviços públicos, com foco especial no atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade.


No Brasil, Jean também desenvolveu uma ligação com o futebol nacional.