09 de julho de 2026
OPINIÃO

Dados positivos e negativos do Brasil


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Atualmente, muitos fatos estão ocorrendo em nosso país e, com sobriedade e sabedoria, exigem uma reflexão mais profunda por parte do governo e da sociedade brasileira. O fato dos Estados Unidos terem declarado o PCC – Primeiro Comando da Capital e o CV – Comando Vermelho como agentes terroristas requer prudência e equilíbrio quanto ao julgamento precipitado, colocando como primeira evidência a “soberania nacional” e, como segunda, o caráter político, que coloca sobre o candidato à presidência da oposição o ônus pela decisão americana. A definição dos Estados Unidos da América ocorreu em decorrência de um longo período de pesquisas e análises de fatos que levaram a presidência dos Estados Unidos a declarar como terroristas agentes no México, na Colômbia, em Cuba, entre outros países, e não somente no Brasil.

É ainda necessário refletir que a maior democracia do mundo é também a maior potência econômica global. Não tomaria essa decisão em função de um senador da República de qualquer país. Não podemos subestimar e tratar os Estados Unidos como uma “república pequena”.

Com o ambiente “político” já instalado no país, decisões racionais não são efetivadas sobreonerando, mais cedo ou mais tarde, a população brasileira. Os Correios foram socorridos recentemente com um empréstimo de R$ 12 bilhões para saneamento financeiro e sua reestruturação funcional. Uma empresa estatal que já evidenciou a sua inviabilidade e que precisa ser privatizada o quanto antes. Agora foi divulgado o resultado operacional da empresa, no primeiro trimestre deste ano, com um prejuízo de R$ 3,5 bilhões.

A experiência vivida indica que nada é absolutamente ruim e, também, nada é  absolutamente bom. É preciso relativizar. Haverá sempre fatores positivos e negativos. Matéria no caderno de economia no jornal Folha de São Paulo, de 6 de junho passado, indica que o “novo status do PCC e CV leva empresas a vasculharem conexões para evitar penas”, ”setor financeiro, companhias de combustíveis, logística, construções e Bets são considerados mais vulneráveis”. Essa é uma condição positiva para o nosso país, pois levará a uma maior segurança para os negócios e para o país, já que os Estados Unidos podem investigar as conexões e punir empresas.

Houve artigo publicado no jornal o Estado de São Paulo, de Elena Landau, em 6 de junho passado, no qual ela escreveu: “Recentemente, li uma notícia assustadora: o Governo lançou, desde março, novas medidas a cada 3,5 dias, somando cerca de R$ 200 bilhões em gastos”. São quantias astronômicas, que em suas somas produzem déficits primários (sem contar os juros de cerca R$ 1,2 trilhões/ano), que elevam a dívida interna do Setor Público a aproximadamente R$ 10,7 trilhões, atingindo um percentual superior a 80 % do PIB – Produto Interno Bruto, de cerca de R$ 13,3 trilhões.

Já no front externo, as ações do governo têm produzido resultados positivos: na Balança Comercial, poderemos ter um superávit (saldo favorável), da ordem de US$ 80 bilhões. Os entraves externos que ocorreram foram tratados imediatamente pela diplomacia brasileira e dissipados. Considerando os déficits recorrentes nas contas do balanço de serviços, podemos fechar este ano com um saldo negativo em transações correntes com o exterior, de cerca de US$ 50 bilhões. Em compensação, o esforço do governo para atrair investimentos externos para o Brasil deve provocar um fluxo de investimentos externos em ativos fixos da ordem de US$ 80 bilhões, gerando um fluxo cambial positivo de cerca de US$ 30 bilhões. Como acima descrito: nem tudo é absolutamente positivo, nem negativo.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.